Em mais um dia crítico da pandemia de novo coronavírus no Brasil, o Paraná chegou a 96% de ocupação nos leitos de UTI exclusivos para covid-19, mesmo após a ativação 180 novos leitos em unidades de terapia intensiva, na última semana. Na região Oeste do estado, o índice é ainda pior, com 98% dos leitos de UTI ocupados. Em Cascavel, há sete dias não há vagas em UTIs SUS para covid-19.

A informação foi confirmada pelo secretário estadual da Saúde Beto Preto, que está na cidade para abrir mais 12 leitos de UTI e 10 de enfermaria, durante entrevista ao jornal Meio Dia Paraná, da RPC, concedida nesta quinta-feira (4). Cascavel também recebe nesta quinta-feira a visita do ministro da Saúde Eduardo Pazuello.

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“Estamos chegando em um limite difícil. Nós estamos hoje aguardando ansiosamente a visita do ministro Pazuello, que tem nos atendido ao longo do tempo. E vamos colocar mais pleitos para ele, tanto aqui em Cascavel, como no estado todo, precisamos de mais respiradores, mais monitores, mais medicamentos. Estou trazendo um ofício do governador Ratinho Junior, solicitando um apoio ainda do Ministério da Saúde, neste sentido, porque todos os dias nós estamos vendo a fila de paciente encaminhados aos hospitais aumentar”, ressaltou Beto Preto.

Transferências para outros estados

Apesar das atuais dificuldades enfrentadas por hospitais de diferentes municípios do Paraná, para Beto Preto, é pequena a chance de transferir pacientes para outros estados do país, mesmo após pedidos de transferência terem sido feitos pelos Ministério Público Federal e Ministério Público Estadual, na quarta-feira (3).

“É uma possibilidade mínima. Nós fizemos isso com Manaus, no Amazonas, com Rondônia, mas estávamos com uma outra situação. Nesse momento não. Nós temos 18 ou 19 estados praticamente com lotação total dos seus leitos de UTI. Santa Catarina ficou de mandar 16 pacientes para o Espírito Santo e conseguiu encaminhar um até agora”, afirmou à RPC.

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Ainda de acordo com o secretário, uma das possíveis causas para o agravamento da pandemia de covid-19 no Paraná seria a circulação da cepa brasileira do novo coronavírus entre a população do estado.

“É um momento muito duro. Nós temos equipes que ainda conseguem ampliar mais alguns leitos, por isso precisamos de equipamentos. Mas eu insisto, não é apenas abrir leitos. Na verdade, isso é enxugar gelo. Nós estamos, possivelmente, por estudos da Fiocruz, com a presença da cepa amazônica circulante em nosso meio comunitário e alguns casos têm se acentuado, com evolução muito mais rápida. E pode isso tudo estar ligado, sim, a essa nova cepa P-1, cepa variante amazônica brasileira”, reforçou.

Colaboração de todos

Questionado sobre o decreto que trouxe medidas mais drásticas contra a covid-19 no Paraná, o secretário informou que muitas atividades consideradas essenciais estão abertas. “Nesse momento mais duro, talvez fosse o caso de que nem estas permanecessem abertas. E aqui não tá a pessoa física falando, mas sim o gestor de saúde. Precisamos da diminuição de pessoas nas ruas para o vírus circule mesmo. Caso contrário, teremos pessoas todos os dias com dificuldade de atendimento”, disse. O decreto vale até às 5h de segunda-feira (8).

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O secretário alertou que o momento é difícil e exige a colaboração de todos. “Se não tivermos uma conversa olho no olho, não adianta esperar a vacina. Muitas pessoas vão se contaminar e algumas delas vão piorar. A cada dez pacientes que vão pra UTI, cerca de três ou quatro não vão voltar”, alertou.