A troca de experiências entre os governos do Paraná e da província de Hyogo (Japão) para o desenvolvimento sustentável da pesca e aqüicultura começou a ser discutida ontem durante um simpósio internacional que está reunindo especialistas do Brasil, Japão e EUA. A abertura do evento foi realizada em Curitiba, mas hoje e amanhã o evento prossegue no litoral do Estado, com visitas técnicas ao Centro de Estudos do Mar, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), e ao Centro de Produção e Pesquisa de Organismos Marinhos, da Pontifícia Universidade Católica (UFPR) do Paraná.

De acordo com o secretário de Estado de Meio Ambiente, Luiz Eduardo Cheida, o evento será importante para a absorção de projetos que poderão ser desenvolvidos no litoral, e com impacto na redução de diversos problemas causados, principalmente, pela falta de ordenamento urbano, saneamento básico e exploração predatória. “Hyogo tem uma tradição no tratamento de suas bacias hidrográficas, e queremos absorver essas experiências para aplicar no nosso litoral”, disse Cheida. A província de Hyogo, localizada no Leste do Japão, pode ser considerada uma referência mundial no desenvolvimento de tecnologias de despoluição para regiões costeiras. O vice-governador de Hyogo, Kazuhiro Fujimoto, também entende que as parcerias poderão resultar em resultados positivos para os dois países.

A região costeira do Paraná é formada por sete municípios, que ocupam uma área de 613 quilômetros quadrados. De acordo com o secretário especial adjunto de Aqüicultura e Pesca, Romeu Daros, o governo federal ainda não possui um plano específico para o setor no Estado. Isso deverá ser traçado durante um encontro que irá acontecer no final do mês no Paraná. “Esses seminários vão acontecer em todas as regiões do Brasil, onde será possível estabelecer um zoneamento costeiro, e a partir disso, saber o que o e quanto produzir”, disse.

Segundo Daros, existem no Brasil um milhão de pescadores artesanais, dos quais, 70% são analfabetos. Ele adiantou que a secretaria pretende alfabetizar 60 mil pessoas ainda este ano, e liberar recursos na ordem de R$ 2 bilhões, para linhas de crédito e renovação da frota. O intercâmbio com o Japão, comentou, poderá ser muito produtivo, “pois eles detêm tecnologia de frota e capturas que poderemos adaptar aqui”.

Programas

O litoral do Estado sofre com problemas pontuais como a ocupação desordenada, uso inadequado do solo, falta de saneamento básico e mercado de trabalho. As dificuldades com a pesca, provocada pela competição desleal de pesqueiros que vem de outros estados, também ajudam a agravar a situação. Além de interferir nas condições das famílias que vivem exclusivamente da pesca, também estão influenciando na extinção de algumas espécies nativas, como a pescada, que está começando a desaparecer do litoral.

Alguns projetos estão buscando mudar esses panoramas, e trabalhar junto com as comunidades locais. Um deles é desenvolvido pelo Centro de Produção e Pesquisa de Organismos Marinhos, em Guaratuba. De acordo com o diretor do Centro, Moacir Serafim, estão sendo desenvolvidos estudos para a produção de organismos nativos da região, como ostra nativa, mexilhão e robalo, assim como, para o repovoamento de caranguejo. “Com isso estamos tentando fazer com que as famílias que vivem em torno da bacia tenham na maricultura e na pesca uma alternativa”, disse.