Átila Alberti / O Estado do Paraná
O reservatório da usina Capivari
Cachoeira está abaixo do nível normal.

O Paraná completou ontem 47 dias de estiagem. De acordo com o Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), o fenômeno está ocorrendo por causa de uma massa de ar seco e quente que se instalou sobre o Centro-Sul do País. Essa massa impede o desenvolvimento de nuvens e também não permite a entrada de umidade nessas regiões.

Sem chuvas e com baixa umidade relativa do ar, a atenção deve ser redobrada para evitar problemas respiratórios, principalmente nas crianças e nos idosos. Além disso, o risco de focos de incêndio em parques e campos também cresce nesta época do ano, por causa do tempo seco.

A redução do volume de vazão de rios e lagos também pode começar a preocupar, caso não chova até a próxima semana. A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), no entanto, informou que até o momento não foram registrados problemas em relação ao nível dos mananciais de abastecimento do Estado. De acordo com a régua de medição (dispositivo que controla a vazão), o nível normal dos reservatórios tem que se manter em 30 centímetros.

O meteorologista do Simepar, Vilson Souza Ferreira, informou que nem mesmo o avanço de frentes frias nas últimas semanas deslocou essa massa. “Em Curitiba e na Região Metropolitana foram verificados algumas pancadas de chuva, mas nada que chegasse a influenciar na temperatura e na umidade. A massa de ar seco permaneceu forte”, destacou. Em agosto, o volume de chuvas no Paraná já ficou abaixo da média histórica, que é de 78 milímetros. Em outras regiões do Estado, a redução foi ainda maior.

As temperaturas estão altas, com variações entre 30.ºC e 35.ºC, principalmente nas regiões Norte, Centro e Oeste. O índice de umidade está diminuindo rapidamente. “Até sexta-feira (amanhã), podem ocorrer chuvas isoladas no Estado, mas não sabemos com que intensidade. Isso se deve ao deslocamento de uma nova frente fria no Rio Grande do Sul, que deve chegar ao Paraná no final de semana”, informou o meteorologista.

Umidade

De acordo com o Simepar, nos últimos dias, o nível de umidade do ar variou entre 19% e 22% nas cidades de Palotina e Cascavel, no Oeste do Paraná. Em Curitiba, ficou em 26%, também abaixo do índice recomendado pela Organização de Saúde (OMS), que é de 60%. A OMS considera que o nível de umidade a 30% já é desconfortável para a população, podendo causar problemas de saúde.

Aumento

O pneumologista da Secretaria Municipal de Saúde de Londrina, Alcindino Cerci, informou que o número de casos de problemas respiratórios na cidade aumentou no último mês. Segundo ele, o tempo seco resseca as mucosas brônquicas, dificultando a respiração. Crises de bronquite e de asma também são comuns nessa época do ano. “O ideal é hidratar-se a toda hora, para que as vias respiratórias não fiquem ressecadas. Em especial as crianças e os idosos, que são os mais afetados. E, nos casos mais problemáticos, os postos de saúde estão prestando atendimento para toda a população”, afirmou o pneumologista. Em Curitiba também houve aumento dos registros de problemas respiratórios, chegando a cerca de 12 mil casos no final de agosto.