O uso de robôs em cirurgias aumenta no país, e o Paraná ocupa a terceira posição no ranking da robótica, atrás apenas de São Paulo e Rio Grande do Sul. Com garantia de menor risco e recuperação mais rápida para os pacientes, a cirurgia é um procedimento minimamente invasivo. As especialidades médicas que mais se beneficiam são urologia, ginecologia e aparelho digestivo.

O país iniciou o uso de robôs cirúrgicos em 2008, no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, e desde então já foram realizados mais de 40 mil procedimentos do gênero nas 75 plataformas robóticas instaladas nos sete estados que oferecem este tipo de cirurgia. Além de apresentar menos riscos, a precisão de um robô é perfeita.

Saturnino Neto, médico cirurgião e presidente do capítulo paranaense da Sociedade Brasileira de Cirurgia Minimamente Invasiva e Robótica (Sobracil), explica que a movimentação da peça é semelhante ao do profissional de saúde. “Os instrumentos do robô realizam movimentos semelhantes aos da mão humana, mas não há tremor, fadiga ou desvios involuntários”, comentou o médico.

Importância do humano e muito treino

Mas está enganado quem pensa que nos próximos anos só teremos robôs nas salas de cirurgia. Tudo é controlado tanto pela equipe quanto pelo programa usado para a cirurgia. Por serem mais complexas, as cirurgias robóticas seguem um protocolo de segurança.

Antes de assumir o controle de um robô, o profissional passa por treinamento em um simulador. Faz isso repetidamente até ganhar confiança e experiência. Há vários mecanismos de segurança, a fim de evitar acidentes. O cirurgião opera de dentro de uma cabine, que conta com dois controles manuais, dois painéis auxiliares e cinco pedais. Tudo que a câmera capta é exibido em 3D na tela, que amplia as imagens de 10 a 15 vezes, garantindo uma amplitude de visão para que a cirurgia seja realizada.

“Qualquer movimento realizado pelo robô é feito pelo cirurgião no console. Diante de ações imprevistas, a tecnologia robótica aciona um comando de segurança que trava provisoriamente a máquina, evitando danos ao paciente. Se o médico tirar o rosto da tela de controle, por exemplo, o robô também para automaticamente”, disse Saturnino Neto, que fez especialização na área no Instituto Falke.

Cada robô custa cerca de R$12 milhões e pesa mais de 500 quilos, necessitando de um amplo espaço dedicado somente a ele no hospital. Apenas cinco hospitais públicos possuem essa tecnologia, em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Rio Grande Sul.