O Paraná conta hoje com menos de 7% de sua área original de araucárias (Araucaria angustifolia), sendo que apenas 0,8% conserva-se em estágio primário, sem maior interferência do homem. Os números são da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema) e fazem parte de um amplo trabalho que pretende mapear a cobertura vegetal no Estado. Um atlas com os resultados da pesquisa deve ser lançado até o fim do ano. Os números divulgados pela Sema transformam o Dia da Árvore em uma data de alerta para os ambientalistas. Para Lídia Lucaski, presidente da Associação de Defesa do Meio Ambiente de Araucária (Amar), não há muito o que comemorar. Segundo ela, o próprio Instituto Ambiental do Paraná (IAP) é um dos responsáveis pela quase extinção da árvore-símbolo do Estado. “O IAP está dando autorização de corte indiscriminadamente. Todo mundo pode ir lá e derrubar as árvores”, queixa-se Lucaski. Para ela, a Araucária está tecnicamente e geneticamente extinta.

A Araucaria angustifolia, também conhecida como pinheiro-do-paraná, chegou a ocupar mais da metade do território paranaense. A agropecuária, a urbanização e as várias formas de exploração humana devastaram a floresta, que resiste em algumas áreas e parques de preservação. “A destruição da mata afeta também a fauna local. Certos pássaros e mamíferos necessitam de um grande espaço para sobreviver”, explica o biólogo Ricardo Britez, da Sociedade de Pesquisa da Vida Selvagem (SPVS).

Esperança

Apesar dos dados negativos, ainda existem motivos para comemorar. Ricardo, por exemplo, é responsável por um projeto de preservação e restauração da Floresta Atlântica na Serra do Mar. Ele é o coordenador da Reserva Natural do Rio Cachoeira que, junto com duas outras áreas, ocupam 17 mil hectares na Serra. Além de preservar as espécies vegetais, a SPVS pretende restaurar a flora local. “Temos um viveiro que produz 300 mil mudas por ano”, comemora o biólogo.

A Floresta Atlântica, no entanto, é a que menos sofreu com a ação humana. De acordo com a pesquisa da Sema, 85% da cobertura original da Serra permanece preservada.