Cerca de 580 mil idosos do Paraná, com 60 anos de idade ou mais, devem ser vacinados gratuitamente contra a gripe até o próximo dia 30. Pelo menos é essa a expectativa da Secretaria de Estado da Saúde para a Campanha Nacional de Vacinação do Idoso, que teve início ontem em todo o País. A meta estipulada pelo órgão estadual segue o parâmetro nacional, que é o de atingir cerca de 70% de idosos brasileiros. No Paraná, vivem cerca de 809 mil pessoas com mais de 60 anos de idade, conforme o Censo 2000 divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Nossa meta é atingir 70% da população, mas temos vacinas suficientes para atender a todos os idosos do Estado”, informou o secretário estadual da Saúde, Cláudio Murilo Xavier, ontem, durante a abertura oficial da campanha no Estado, em Rio Branco do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba. De acordo com o secretário, a vacina tem 90% de eficácia em pessoas saudáveis e ainda previne contra a terceira principal causa de mortes em idosos, que é a doença respiratória.

A secretaria enviou lotes de vacina às 22 regionais de saúde, que já distribuíram aos 399 municípios. Ao todo, 2,1 mil postos de saúde em todo o Estado estão preparados para aplicar as vacinas. Cerca de 10,5 mil pessoas estão envolvidas na campanha, que este ano traz o tema “Velho é o seu preconceito”. Além da vacina contra a gripe, a secretaria também colocou à disposição 200 mil doses de vacinas contra o tétano e a difiteria. A vacinação só não é indicada para quem tem alergia à proteína do ovo e ao timerosal, portadores de doenças neurológicas em atividade e indivíduos que tiveram síndrome de Guillain Barré não devem receber a vacina. Já para os cardíacos, asmáticos, diabéticos, hipertensos, os que têm insuficência renal ou hepática, portadores sintomáticos do vírus HIV ou outro estado associado à baixa imunidade não há contra-indicação.

Este é o quinto ano que é aplicada a vacina contra a gripe no Estado. O único ano em que a cobertura chegou próxima de 100% foi o primeiro (1999), quando 98,2% da população idosa foi vacinada. Nos anos seguintes, ficou entre 75% e 84%.

Curitiba

O lançamento oficial da campanha em Curitiba aconteceu na Boca Maldita. A expectativa do governo municipal é atingir cerca de 140 mil pessoas. No ano passado, foram vacinadas 113.640 pessoas com 60 anos ou mais – equivalente a 82% da população-alvo, segundo a Prefeitura. Na Região Metropolitana de Curitiba vivem 221 mil idosos.

Quem já tomou repetiu a dose

A aposentada Palmira de Godoy, 72 anos, não hesitou em sair logo cedo de casa para ser vacinada na Escola Estadual Maria da Luz Furquim, em Rio Branco do Sul. “Já tomei no ano passado e resolvi tomar de novo”, contou, acrescentando sofrer de rinite. Além da vacina contra a gripe, ela também recebeu a dose contra o tétano.

Para o aposentado Valdomiro Lourenço Pinto, 66 anos, desde que começou a tomar a vacina, no ano passado, não teve mais gripe forte. O fato de a dose ser gratuita também ajuda, segundo ele. “Eu não tenho dinheiro para pagar.” A aposentada Sebastiana Lopes Boaventura, 72 anos, concorda quanto à eficácia da dose. Ontem foi o quarta vez que ela tomou a vacina. “O efeito é muito bom. Agora, só tenho gripe fraquinha”, garantiu. Ninguém reclamou da picada da agulha. “Não dói nada”, confirmou Sebastiana. (LS)

Estado em alerta contra a pneumonia

A Secretaria de Estado da Saúde descredenciou a Santa Casa de Foz do Iguaçu como centro de referência no tratamento da síndrome respiratória aguda grave, a pneumonia atípica. O novo credenciado na cidade é o Hospital Costa Cavalcanti. A troca foi feita com a concordância da Santa Casa, porque o Costa Cavalcanti apresenta melhores condições de atendimento.

“Já iniciamos o envio dos kits para a realização dos exames dos casos suspeitos”, diz o coordenador da força-tarefa para combate da pneumonia atípica e da vigilância em saúde da Secretaria, Gléden Prates. Agora, os centros de referência para tratamento dos casos suspeitos são: Hospital Costa Cavalcanti (Foz), Hospital de Clínicas (Curitiba), Santa Casa de Paranaguá e Hospital Universitário de Londrina.

Cada um recebeu 20 kits para realização de exames, que serão feitos pelo Laboratório Central do Estado (Lacen). Também foram enviados lotes de equipamentos – 3 mil respiradores, mil aventais descartáveis, 17 mil luvas descartáveis e trezentos óculos -para serem utilizados pelos médicos e enfermeiros treinados para atender os pacientes com suspeita de pneumonia atípica. Amanhã, acontece na sede da secretaria, em Curitiba, mais uma reunião com a comissão que forma a força-tarefa, que inclui, além da secretaria, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para avaliar as ações já realizadas.

Na quarta-feira, Gléden Prates fará em Curitiba uma reunião com os diretores das quatro unidades de referência e das regionais de saúde das quais elas fazem parte: 1. (Paranaguá), 2. (Curitiba), 17.ª (Londrina) e 9.ª (Foz do Iguaçu). Na quinta-feira, os diretores das outras dezoito regionais de saúde terão uma reunião em Curitiba para definir todas as ações que devem ser tomadas se surgir algum caso suspeitos.

Na semana passada, a secretaria já enviou às regionais três notas técnicas sobre o assunto, com instruções quanto à coleta dos exames, atendimento ao paciente e preparo do ambiente hospitalar. Para qualquer suspeita de caso da síndrome respiratória aguda grave, a secretaria já tem disponível seis ambulâncias do Centro da Regulamentação do Estado (CRE) e um helicóptero disponibilizado pela Defesa Civil. “O Paraná saiu na frente e está com toda a estrutura preparada para o atendimento dos casos suspeitos”, diz Gleden Prates.