A Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) promoveu ontem mais duas desocupações pacíficas no Paraná. Sem qualquer incidente, as fazendas Santa Filomena, em Vila Alta, e Santa Isabel, no município de Xambrê, ambas no Noroeste do Estado e distantes 50 km uma da outra, foram desocupadas pelos membros do Grupo de Xambrê, formado por desempregados da região e ex-ilhéus do Parque Nacional de Ilha Grande. O grupo não tem vínculos com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

O secretário de Estado da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, disse que as reintegrações foram tranqüilas. “Mais uma vez estamos mostrando à sociedade que o diálogo e a negociação pacífica são a melhor saída para a questão agrária. Não estamos medindo esforços para manter a paz e a ordem no campo”, observou.

A Fazenda Santa Filomena, a 50 quilômetros de Umuarama, foi invadida em 31 de julho. A desocupação da propriedade começou às 9 horas, quando um oficial de Justiça notificou os líderes do grupo a respeito do mandado de reintegração de posse. Duas horas depois, as cem pessoas do que ocupavam a área deixaram pacificamente a fazenda, que fica próxima à divisa com o Mato Grosso do Sul.

O grupo deixou a propriedade e fixou-se às margens de uma das rodovias estaduais da região. Oitenta e cinco policiais militares acompanharam a movimentação. Durante a retirada dos invasores, a Polícia Militar fez uma revista entre os sem-terra, mas nenhuma arma de fogo foi encontrada.

Após essa desocupação, os policiais militares se deslocaram para a Fazenda Santa Isabel, em Xambrê, a cerca de 30 quilômetros de Umuarama, para o mesmo procedimento. Essa fazenda foi ocupada no mesmo dia que a Santa Filomena por 40 pessoas, também do Grupo de Xambrê.

Amanhã, a partir das 9h, a Sesp vai desocupar a fazenda Baronesa dos Candiais 2, em Luiziana, na região Centro-Oeste do Estado, invadida em 28 de abril passado por cerca de 200 famílias do MST. De acordo com um laudo emitido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), trata-se de uma propriedade produtiva.

Araupel

Os sem-terra que ocupam a Fazenda Araupel, em Quedas do Iguaçu, já estudam formas de fazer o plantio da safra 2003/2004 na área ocupada. Eles estão acampados próximos aos silos da empresa aguardando lonas e alimentos prometidas pela ouvidora agrária nacional, Maria de Oliveira, no dia 17 de julho. Quando esse material chegar eles vão transferir o acampamento para outra área, mas ainda dentro da fazenda. “Está demorando e temos que começar a plantar ainda este mês”, disse o líder do MST Adélson Schwalemberg.