Com a campanha de vacinação contra a Covid-19 em andamento desde janeiro, a expectativa do governo do Paraná é atingir todas as pessoas com mais de 60 anos de idade até o final de abril. Mas isso é possível? Na estimativa populacional que consta no plano estadual de vacinação, há 1.782.256 moradores de cidades paranaenses que possuem mais de 60 anos. Além disso, há outras 335.498 pessoas que, na fila da vacina, estão na frente dos idosos – trabalhadores da saúde e indígenas, por exemplo. Ou seja, para garantir o ciclo completo da vacinação (duas doses) aos idosos, e também aos grupos que estão na frente deles, seriam necessárias 2.117.754 vacinas para a primeira dose e a mesma quantidade para a segunda dose, em um total de 4.235.508.

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Até agora, 1º de abril, o Paraná recebeu do Ministério da Saúde um total de 2.253.300 vacinas. Assim, até o final deste mês de abril, são necessárias mais 1.982.208 doses para garantir duas aplicações da vacina para todos os idosos, considerando apenas a chegada delas em território paranaense. Ou seja, sem levar em consideração o ritmo das aplicações (que são organizadas por cada município) e a distância obrigatória de tempo de aplicação entre uma dose e a segunda.

As doses destinadas aos idosos também estão ligadas a outros fatores, como eventuais alterações na fila: nesta quinta-feira (1), por exemplo, dentro do lote de mais de 500 mil vacinas que o Ministério da Saúde encaminhou ao Paraná, pouco mais de 2 mil estavam reservadas a forças de segurança e salvamento e forças armadas, que incluem policiais, guardas municipais e militares.

A antecipação do grupo das forças de segurança e salvamento e armadas na ordem da fila foi uma decisão do Ministério da Saúde. Em entrevista à imprensa, o secretário estadual da Saúde, Beto Preto, disse nesta quinta-feira (1) que “fomos um pouco surpreendidos”, mas lembrou que os policiais já tinham sido incluídos no grupo prioritário, que é formado por um total de 4.635.123 pessoas.

Na terça-feira (30), o governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior (PSD), também havia indicado mudanças no plano estadual de vacinação, mas, segundo ele, a ideia era antecipar a vacina para policiais e professores após os idosos. Depois, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) deu nova informação, explicando que policiais e professores seriam vacinados junto com as pessoas que apresentam alguma comorbidade, de forma simultânea.

Nenhuma atualização foi formalmente feita pelo governo paranaense até agora no plano original da vacinação, um documento que serve de base para os municípios se organizarem e definirem seus próprios cronogramas.

Os quantitativos de doses enviadas ao Paraná são definidos pelo Ministério da Saúde. Os governos estaduais são informados sobre o número exato apenas na véspera do envio dos lotes. Desde o final de janeiro, as remessas ao Paraná têm acontecido praticamente uma vez por semana, mas o quantitativo tem oscilado: das 11 remessas, já chegou lote com menos de 100 mil doses, por exemplo; e a maior remessa aconteceu nesta quinta-feira (1), com mais de 500 mil (a maior parte reservada para a segunda aplicação).

De acordo com o governador Ratinho Junior, a expectativa é que, a partir de agora, ao longo do mês de abril, as remessas semanais fiquem sempre entre 300 mil e 400 mil doses. Assim, na melhor das hipóteses, o Paraná receberia mais 1.600.000 doses até o final do mês, ainda inferior ao volume necessário para a primeira fileira do grupo prioritário (mais 1.982.208 doses), considerando o ciclo completo da vacinação (duas doses).

De acordo com o “vacinômetro” mantido pela Sesa e alimentado com informações enviadas pelas prefeituras dos municípios, 827.607 idosos já receberam a primeira dose no Paraná até esta quinta-feira (1), incluindo aqueles que vivem em instituições; 99.254 também já receberam a segunda dose.