Desde o início do mês, o Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe) registrou 397 focos de queimadas no Paraná. De acordo com registros da Defesa Civil, aparecem cerca de 70 focos diários nesta época do ano. As altas temperaturas e o tempo seco favoreceram o desenvolvimento do fogo, que acaba se alastrando com facilidade. No mesmo período do ano passado, foram registrados 441 focos de queimadas.

Para atuar no combate às queimadas, a Defesa Civil desenvolveu o programa Mata Viva, que trabalha desde o início do ano no monitoramento e prevenção dos focos de incêndio em todas as regiões. Segundo o capitão Maurício Genero, o grande período de estiagem que permanece afetando o Estado junto com o forte calor deixou em alerta todos as equipes no Estado.

O Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Polícia Florestal, e Emater são outros órgãos que participam dos trabalhos contra as queimadas. “Essa é uma época de bastante ocorrência de incêndios. Na maior parte, isso ocorre em vegetações rasteiras, mas também enfocamos os monitoramentos para impedir que o fogo chegue em reservas e áreas de proteção ambiental”, diz.

O período de maior incidência de queimadas vai de junho a outubro. De acordo com o capitão, o frio que durou até agosto já prejudicou a vegetação. Após o período das geadas, as altas temperaturas e a estiagem contribuem para o aparecimento dos focos de incêndio. Outro ponto destacado pela Defesa Civil é a precaução com o trabalho dos agricultores, que aproveitam para queimar o pasto nesta época do ano. “Qualquer descuido pode gerar uma queimada de grandes proporções. Então o monitoramento tem que ser constante, para que nenhum problema aconteça”, completou o capitão.

A estiagem que já dura 49 dias não preocupa a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar). De acordo com o órgão estadual, o abastecimento de água para a população não está comprometido nem deve sofrer qualquer alteração pelos próximos meses.

Durante o período sem chuvas, a represa do Capivari-Cachoeira, em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), já baixou mais de quatro metros. No Noroeste, a represa do Ivaí também reduziu o volume de água a mais de um metro. No entanto, segundo destacou a Sanepar, outras bases de abastecimento, principalmente da capital, como as barragens do Passaúna, do Iraí e de Piraquara, não foram afetadas pela falta de chuvas. O gerente de produção da Sanepar, Paulo Raffo, informou que isso não é motivo para preocupação. Ele deu ênfase ao crescimento do consumo por causa das altas temperaturas. “Com o calor intenso e o tempo seco, o aumento no consumo é natural e por isso tem sido acima do normal. Mas, isso não pode ser confundido com desperdício. Só é necessário evitar o descaso com a água”, informou.

Defesa Civil

A partir de hoje, a umidade relativa do ar deve voltar a subir em todas as regiões do Estado. A Secretaria Nacional de Defesa Civil (Sedec), do Ministério da Integração Nacional, enviou ontem alerta meteorológico para as coordenadorias de Defesa Civil do Paraná, Santa Catarina e São Paulo a fim de prevenir contra as conseqüências de uma frente fria que está sobre a Região Sul e se desloca em direção ao Sudeste do País.

Em alto-mar, no Paraná, as águas estarão agitadas a partir de amanhã, com ondas de 3 m, situação que deve persistir até a segunda-feira.

Também por conta da frente fria, a partir de hoje e, até amanhã, é provável a ocorrência, de temporais, com raios e ventos de até 60 km/h, em Santa Catarina. O tempo também deverá apresentar-se assim, entre o sábado e a segunda-feira, no Leste e no Sul do Paraná.

Maior incidência de queimadas no Paraná, desde o início do mês:

Prudentopólis – 81 ocorrências
Ivaí – 22 ocorrências
Cruz Machado – 19 ocorrências
Guarapuava – 16 ocorrências
Cândido de Abreu – 14 ocorrências
Pinhão – 10 ocorrências
Palmas – 8 ocorrências
Jaguariaíva – 8 ocorrências
Irati – 8 ocorrências
Ortigueira – 7 ocorrências

Fonte: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)