Na semana que vem, o Paraná será o centro mundial de saúde ocupacional com a apresentação de mais de mil pesquisas inéditas, enfocando a saúde do trabalhador dos quatro cantos do planeta. Esta é a primeira vez que o Brasil é sede do Congresso Internacional de Saúde no Trabalho.

O evento é promovido de três em três anos, desde 1906, pela International Commission on Occupational Health (Icoh), entidade científica internacional e base consultiva da Organização Mundial da Saúde (OMS) e Organização Internacional do Trabalho (OIT). O 27.º Congresso Internacional de Saúde no Trabalho (Icoh 2003) reunirá em Foz do Iguaçu, no Extremo Oeste do Estado, de segunda-feira (23) a sábado (28), cerca de 4.500 profissionais de mais de 55 países.

Debates

O tema principal desta edição do Congresso é o desafio da eqüidade em saúde e segurança no trabalho. O assunto será debatido em doze conferências magnas, 23 mesas-redondas, 75 simpósios e cinqüenta sessões de temas livres.

A escolha de uma cidade brasileira como sede do evento significa o reconhecimento da América Latina, pela comunidade científica internacional, como pólo científico mundial.

Divisor de águas

“O Congresso será um divisor para a Saúde Ocupacional dos países latino-americanos, principalmente porque teremos apresentações de estudos inéditos realizados em outros centros e uma oportunidade de troca de experiências sem precedentes”, afirma Ruddy Facci, vice-presidente mundial do Icoh e presidente do 27.º Congresso Internacional de Saúde no Trabalho.

Ruddy Facci, primeiro médico brasileiro a ter lugar na diretoria mundial da ICOH, diz acreditar que o Congresso Internacional poderá apontar numerosos caminhos que resultem em mais qualidade de vida e proteção ao trabalhador de todo o mundo, especialmente em questões como a aids, a silicose (cujo risco atinge 6 milhões de brasileiros) e as lesões por esforço repetitivo/doenças osteomusculares relacionadas ao trabalho (LER/dort). As LER/dort lideram atualmente as ocorrências de doenças ocupacionais no País.

Sem cura

“As doenças ocupacionais matam e dificilmente têm cura”, alerta Roddy Facci. “O papel dos profissionais de saúde ocupacional é trabalhar intensivamente pela proteção e prevenção das saúdes do trabalhador.”