As taxas de reprovação no período diurno no ensino fundamental aumentaram de 2001 a 2005 no Paraná, na maioria das séries. As taxas de abandono, entretanto, diminuíram no mesmo período. Em contrapartida, com relação aos alunos que estudam à noite, os índices de reprovação caíram no período, enquanto a evasão cresceu. Esses são apenas alguns dos itens dos Indicadores Demográficos e Educacionais do Ministério da Educação (MEC). Além deles, a pesquisa traz dados referentes à quantidade de escolas nos estados e municípios, o número de matrículas, entre outros.

Na 2.ª série, por exemplo (período diurno), a taxa de reprovação aumentou de 3,7%, em 2001, para 9,5%, em 2005. Aumento significativo também foi verificado na 5.ª série, nos mesmos anos: de 15,1% para 20,4% (veja tabela). A evasão no período noturno foi o destaque: na 5.ª série, por exemplo, a taxa de abandono total em 2001 foi de 26,5%, enquanto em 2005 chegou a 50%. A superintendente da Secretaria de Estado da Educação (Seed), Yvelise Arco-Verde, diz que o aluno que estuda à noite enfrenta vários empecilhos econômicos e sociais, o que o faz abandonar os estudos e, quem fica, é mais persistente e tira boas notas. Com relação às reprovações no período diurno, a professora avalia que deve haver uma mudança de mentalidade frente à avaliação. ?Nem sempre a culpa pela reprovação é toda do aluno. É preciso pensar que várias coisas interferem no seu rendimento, como material didático, professor mal ou bem preparado, condições da escola, entre outros?, diz.

Outro dado que a pesquisa do MEC traz se refere à quantidade de alunos em sala de aula. No Paraná, os números também cresceram no período analisado, na maior parte dos turnos e séries. Yvelise diz que embora o órgão esteja sempre preocupado com o assunto, a quantidade de estudantes em sala ainda preocupa. Ela explica que algumas regiões têm o problema agravado por conta do crescimento desordenado, como a Região Metropolitana de Curitiba e o litoral, por exemplo. ?Em algumas localidades tivemos que aumentar o número de estudantes em sala para não deixá-los sem aula, até que possamos fazer as adequações mais corretas, como a construção de novas escolas?, afirma. Yvelise informou ainda que a Seed tem um projeto para diminuir esses índices, mas tudo está em fase de levantamento de dados. ?Temos uma média de 35 a 40 estudantes em sala de aula, o que consideramos o ideal. Mas na 5.ª série queremos deixar 30.?

De acordo com o estudo do MEC, nos anos iniciais do ensino fundamental, as salas de aula do Paraná têm, em média, 23,7 estudantes na área rural, e 29,6, na urbana. No ensino médio, o índice é de 28,9 e 33,2, respectivamente. No Rio Grande do Sul, a média de alunos nas salas das séries iniciais do Ensino Fundamental chega a 17,1, na área rural, e 23,8, na urbana. No ensino médio, os índices são de 24,7 e 28,8, respectivamente. Em Santa Catarina, as taxas são de 21,8, 26, 24,8 e 33,2.

Curitiba bem colocada entre capitais do Sul

Ao comparar Curitiba com as outras capitais da região Sul, a cidade está bem colocada nos índices da educação, exceto quando o assunto é aprovação. De acordo com o estudo do MEC, os índices de reprovação cresceram de 2001 a 2005. Em compensação, a evasão diminuiu. Na 2.ª série, por exemplo, os índices totais de reprovação aumentaram de 9,2%, em 2001, para 15,3%, em 2005. Um aumento grande aconteceu também na 1.ª série, com 0,2%, em 2001, e 6,1%, em 2005.

A diretora do Departamento de Ensino Fundamental da Secretaria Municipal de Educação, Nara Salamunes, acredita que o acréscimo se deve à adaptação das escolas à progressão continuada, que começou a ser implantada em Curitiba em 1999. A progressão visa a não reprovação da criança ao final dos ciclos de aprendizagem. Segundo ela, os índices de repetência em Curitiba não chegam a 10%. ?Claro que dentro desses índices devem haver também as crianças com algum tipo de dificuldade de aprendizado, mas supomos que a adaptação das escolas foi o principal fator que contribuiu com o aumento?, diz. De acordo com Nara, a Prefeitura oferece, constantemente, cursos de capacitação para seus professores. Ela explica ainda que os estudantes com dificuldades de aprendizado recebem tratamento especial.

Apesar do bom rendimento, Curitiba ainda é a capital da região sul que tem mais alunos em salas de aula. De acordo com o estudo, nos anos iniciais do ensino fundamental, a média de estudantes por sala é de 28,9. Já nas séries finais, o número salta para 32,4. Em Florianópolis e Porto Alegre, os índices são de 23 e 28, respectivamente. ?Nossa média é de 30 estudantes por sala, o que consideramos adequado?, afirma Nara.