Pelo menos 140 paranaenses estão isolados desde sábado em um parque aquático em Gaspar, em Santa Catarina. Eles pertencem a três grupos que foram passar o dia no local, mas acabaram impedidos de retornar em função da queda de barreiras nas rodovias que dão acesso ao parque. Com a ajuda da Defesa Civil, hoje um grupo tentará atravessar uma trilha na expectativa de acessar a rodovia. Cerca de 600 pessoas estão alojadas no parque.

A professora Andrinéia Kátia Pereira integra uma excursão da cidade de Colombo que foi para o Parque Aquático Cascanéia. Ela conta que, na hora que iriam deixar o local, ficaram sabendo da queda da barreira na estrada. “Com isso, não pudemos mais sair.” A professora confirmou que entre o grupo existem pais com crianças e adolescentes.

Todos estão recebendo alimentação, água potável e assistência. Andrinéia é diabética e por falta de insulina acabou passando mal, mas ontem recebeu a medicação da Defesa Civil de Santa Catarina, que chegou ao local de helicóptero. Ontem também a comunicação e a energia elétrica foram regularizadas na região.

Outro grupo de 42 pessoas que também está no parque é composto por alunos e funcionários do Colégio Estadual Padre Silvestre Kandora, de Curitiba. A pedagoga Josilena Silveira é uma das responsáveis pela excursão, que reúne alunos entre 14 a 16 anos.

Ela relatou que a situação no local está tranqüila e que eles só voltarão para casa assim que tiverem a confirmação de que há segurança para trafegar nas rodovias. “Algumas pessoas resolveram tentar sair do parque por uma trilha, mas nós optamos por ficar e só sair quando estivermos em segurança”, falou.

A pedagoga comentou que o único momento tenso que passaram no parque foi quando houve a explosão de um gasoduto próximo ao local. “Nós ouvimos um barulho forte e vimos as chamas do incêndio. Algumas pessoas ficaram nervosas e começaram a chorar, mas a situação foi logo controlada porque não fomos atingidos de nenhuma forma”, relatou.

Segundo Josilena, os alunos estão em constante contato com as famílias em Curitiba. Outros 80 turistas que estão no parque são alunos dos Colégios Estadual do Paraná e Roberto Langer Júnior, ambos de Curitiba.

Segundo o major do Corpo de Bombeiros de Santa Catarina, Flávio Graff, além das pessoas que estão no Cascanéia, outros 400 turistas também estão isolados em outro parque aquático em Gaspar. Ele não tinha informações de paranaenses neste parque. Nos dois locais, afirmou Graff, a situação está sob controle. “As pessoas estão recebendo toda a assistência e não correm nenhum risco. A única dificuldade tem sido o acesso”, finalizou.

Previsão de mais chuva preocupa cidades do litoral

A previsão de que volte a chover no litoral do Paraná está deixando as autoridades em alerta. No domingo foram registrados 45 pontos de alagamentos em Pontal do Sul, Paranaguá e Guaratuba, e 200 pessoas ficaram temporariamente desabrigadas.

Ontem, a situação ainda continuava crítica nas comunidades de Maria Luiza e Santa Cruz, em Paranaguá. Os moradores dessas localidades ficaram isolados por causa da queda de pontes e alagamentos.

Ontem, as duas comunidades receberam alimentos e remédios, que foram levados por helicópteros. A prefeitura deverá construir, de forma emergencial, uma passarela para atender os moradores. No restante da cidade, a energia elétrica e o abastecimento de água devem voltar ao normal na manhã de hoje.

O Departamento de Estradas de Rodagem (DER) mobilizou equipes para recuperar rodovias estaduais e municipais no litoral. Ontem, foram feitos trabalhos de limpeza das pistas da Estrada da Graciosa e da rodovia PR-412, que liga Guaratuba a Garuva (SC).

Santa Catarina

O governo do Paraná enviou uma equipe de 140 pessoas da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Polícia Ambiental, Companhia de Choque e Defesa Civil a Santa Catarina para ajudar no socorro às vítimas naquele estado. Eles levaram barcos, viaturas e equipamentos de resgate, além de cestas básicas, kits de roupas, cobertores e lonas plásticas.

O Estado também começou uma campanha de arrecadação de donativos que serão enviados às vítimas. As doações podem ser feitas nos postos do Corpo de Bombeiros e Polícia Militar. A preferência é por alimentos não perecíveis e materiais de higiene e limpeza.

Queda de barreira fecha BR-376

Flávio Laginski

A queda de uma barreira no quilômetro 684 da BR-376, que liga o Paraná a Santa Catarina, na madrugada de ontem, causou muitos transtornos para quem passou pela rodovia. A estrada ficou fechada nos dois sentidos desde as 7h40 e, até o fechamento desta edição, as duas pistas continuavam interrompidas.

Na altura do quilômetro 666, onde funciona um posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF), uma placa impedia o trânsito dos veículos, que eram obrigados a retornar. A PRF pede que os motoristas procurem rotas alternativas, como a BR-116, ou, dependendo do caso, que aguardem um pouco mais antes de viajar pela BR-376.

A situação no local pode ficar ainda mais complicada, já que existem outros pontos ao longo da rodovia que apresentam rachaduras no solo e podem desabar a qualquer momento, uma vez que o tempo chuvoso na região tem contribuído para os deslizamentos.

Além do transtorno em ter de aguardar a liberação da pista, muitos caminhoneiros estão tendo prejuízos por não conseguir levar a carga ao destino. É o caso de Rogério Bernardi, que está no local desde domingo por conta de outro deslizamento ocorrido no final de semana.

“Estou levando uma carga de milho para o porto de São Francisco do Sul (SC). Como trabalho com comissão, estou deixando de ganhar dinheiro por causa desse problema. A situação fica ainda pior para os companheiros que estão viajando com a família”, reclamava. Quem também não estava nada contente com a espera eram os passageiros de um ônibus que seguia para Joinville.

Segundo a passageira Cristina Ferreira, eles deveriam chegar na cidade catarinense às 9h de ontem. “Não vemos a hora de voltar a circular”, dizia. Na tarde de ontem, a Viação Catarinense suspendeu todas as linhas com destino ao estado vizinho, sem previsão de volta.

A Autopista Litoral Sul, concessionária responsável pelo trecho, não tinha previsões animadoras para liberar a rodovia. De acordo com a assessoria de imprensa da empresa, a previsão para a volta do tráfego é somente no final da tarde de hoje.

Cerca de 150 pessoas estão trabalhando no local para a liberação da estrada. De acordo com a concessionária, passam diariamente pelo BR-376 em torno de 12 mil veículos.