Em 2011, a Paróquia São Marcos, no Pilarzinho, encontrou uma maneira simples para proteger a natureza, incentivar projetos sociais, e, do ponto de vista religioso, louvar a Deus, preservando a criação divina. Tudo ao mesmo tempo e com a participação ativa da comunidade. Dois anos depois, a iniciativa comemora a marca de mais de 1 bilhão de litros de água livres da contaminação por óleo vegetal e cerca de R$ 50 mil arrecadados.

Esta é a história do projeto Ecosolidariedade, que recolhe óleo de cozinha usado, vende para empresas que transformam o produto em biodiesel e aplica os recursos em creches, centros de educação infantil, clubes de idosos e programas de inclusão social. Atualmente, são 80 postos de coleta, com uma média de 2 mil litros recolhidos por mês, e 15 entidades beneficiadas.

Marco Andre Lima
Em dois anos, projeto já recolheu 50 mil litros de óleo.

O projeto foi idealizado pela Congregação dos Missionários Servos dos Pobres, através do padre Carlos Donizete Marson. “Em 2011, o tema da Campanha da Fraternidade foi Fraternidade e Vida no Planeta. Buscamos uma maneira de aplicar o tema no nosso dia a dia e, numa visita a Maringá, conheci um senhor de São Paulo que trabalhava com a reciclagem de óleo. Ele me incentivou a implantar o projeto e hoje é um dos nossos compradores”, conta Marson.

O óleo recolhido nos 80 postos de coleta é levado a um terreno ao lado da Igreja de São Marcos, na Rua João Gava, e armazenado em um tanque de 15 mil litros. Depois, é vendido para duas empresas, que reciclam o material e revendem para refinarias que produzem o biodiesel. “Já chegamos a 50 mil litros de óleo recolhidos. Como cada litro de óleo pode poluir até 25 mil litros d’água, chegamos à marca de 1,25 bilhão de litros d’água livres de poluição”, calcula o padre Marson.

Recursos ajudam entidades

Marco Andre Lima
Tanque de 15 mil litros armazena o produto.

Como cada litro de óleo de cozinha usado é vendido em média por R$ 1, o Ecosolidariedade contabiliza uma arrecadação de cerca de R$ 50 mil ao longo de dois anos. Recursos que são destinados à manutenção do projeto e às entidades que participam da iniciativa. “É um dinheiro que ajuda muito na manutenção da nossa creche, principalmente na conservação do prédio”, diz Ademar Perrini, vice-presidente da Ação Social São Marcos, mantenedora da creche Alfonsa Farrugea Graceffa, que atende 100 crianças, também no Pilarzinho.

Para o padre Carlos Marson, a luta pela preservação do planeta é uma maneira de agradecer e louvar. “Deus criou o mundo para que vivamos felizes. Mas só vamos atingir a felicidade quando vivermos em harmonia com toda a criação. Somos parte da natureza e preservar a nossa morada é fundamental”, ressalta.

Marco Andre Lima
Iniciativa beneficia creche que atende 100 crianças.