Walter Alves / GPP

Medo de ser assaltado é constantes
na região. Moradores também
reclamam do descaso da Polícia.

Usuários amedrontados. Ônibus quebrados. Motoristas e cobradores assaltados. Essas vêm sendo situações freqüentes no terminal Afonso Pena, em São José dos Pinhais, nas duas últimas semanas. As reclamações de quem já foi assaltado e de quem teme ser são as mesmas: falta de segurança no terminal, descaso da polícia, que quando solicitada vem muito tarde, e o fato de esses assaltos não terem hora para acontecer.

"Eles não têm horário. Na semana passada eles assaltaram quase todos os dias. Teve um dia que eles saíram de um ônibus e entraram no outro e também assaltaram. Faz umas duas semanas que está assim", conta a estudante de Direito, Sônia de Oliveira, de 33 anos, usuária da linha Itajubá.

O motorista da linha Fátima, Juarez Ferreira de Souza, 37 anos, foi vítima de um assalto, junto com o cobrador, na manhã do último dia 16. "O cara entra com uma máscara do Batman, às vezes com um gorro. Ele estava atrás e entrou com os passageiros, segurando um revólver 38. Levou as moedas do cobrador, uns R$ 15, R$ 16", conta Juarez, que diz estar trabalhando com medo.

Já o motorista Waldomiro Batista, 39 anos, nunca foi assaltado, mas sabe muito bem quais linhas são as mais visadas. "A Vila Imã na semana passada foi assaltada pela manhã. A bairro a bairro é freqüente, mas a Ipê é a pior. Acho que não tem linha que não tem assalto. Nós não temos polícia", afirma.

O medo se estende aos usuários. "Até aqui no terminal não tem segurança. Na semana passada, eu escapei de um assalto aqui dentro", conta Dirceu de Oliveira, 40 anos. O medo de ser assaltado aumenta quando os usuários passam do cobrador já dentro do ônibus. "Por pouco não fui assaltada. Quinta-feira eu ia pegar o Antares, mas resolvi pegar o Fátima, aí estávamos entrando quando uma moça avisou que o Antares havia acabado de ser assaltado. O motorista do Fátima não sabia se voltava ao terminal ou se ia para a boca do lobo. Nós seguimos e no caminho o motorista do bairro a bairro nos parou e pediu para tomar cuidado, pois ele também tinha sido vítima de assalto na mesma hora. Isso foi às 19h. Está todo mundo morrendo de medo", conta Adriana Piorunneck, 37 anos.

Policiamento

De acordo com o major Sérgio Vendrametto, "o policiamento está sendo feito, mas as ocorrências na área são grandes". Ele conta que a polícia já tem algumas informações sobre o suspeito da máscara, mas ainda não tem a identidade do indivíduo. "Vamos procurar intensificar o policiamento para ver se, no mínimo, diminui essa incidência", afirma o major.