A Pastoral dos Surdos promove uma série de atividades e missas semanais especiais para as pessoas que possuem deficiência auditiva. Elas ainda não estão incluídas efetivamente em nossa sociedade. Mas com as ações da pastoral, algumas estão conseguindo atingir essa meta. Cerca de 250 famílias de surdos são atendidas pela organização em Curitiba.

O padre Ricardo Hoepers, secretário nacional da Pastoral dos Surdos, explica que várias comunidades de surdos começaram a ser formadas a partir da década de sessenta, com os primeiros avanços nesta área, como o direito para dirigir. Aos poucos, os grupos conseguiram intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras) para atuarem durante as missas. O mesmo esforço aconteceu para a catequese, grupo de jovens, de casais e outras atividades proporcionadas pela igreja católica.

A criação da Pastoral dos Surdos – as unidades mais antigas estão em Campinas e Rio de Janeiro e comemoram 25 anos de fundação no ano que vem – ajudou nesse processo de inclusão na sociedade. "Na primeira comunhão, por exemplo, os surdos já passaram a ser catequistas e estão dando aulas para outros surdos. Eles olhavam para as atividades e viam que não tinham acesso. A integração existente hoje foi uma conquista deles", afirma. A pastoral, em Curitiba, atua desde 1997 e surgiu depois de encontros de ex-alunos da Escola Epheta, a pioneira no ensino especial para surdos na cidade.

Como parte da integração, missas especiais para surdos são realizadas na Paróquia São Vicente de Paula, onde a pastoral está concentrada. O padre faz a celebração usando somente a Libras. Os próprios surdos fazem as leituras, os comentários e ainda "cantam" com as mãos. Para os ouvintes, existe um tradutor, que dá voz aos sinais. "Os surdos são mais concentrados e mais participativos. Cantam mais do que os ouvintes. Existe uma alegria imensa porque os surdos encaram toda a situação de forma tranqüila. Os ouvintes que assistem as missas para os surdos sentem a falta da presença deles quando comparecem a outras", conta Hoepers. As missas especiais para surdos acontecem todos os sábados, às 17h. Para as regulares que possuam acompanhantes com deficiência auditiva, existe um intérprete de Libras para fazer a tradução.

Um exemplo desse trabalho de inclusão é o seminarista surdo Wilson Czaia. Ele começou a participar das atividades da pastoral e, ao longo do tempo, sentiu a vocação para ser padre. Está cursando o último ano de Teologia e em 2006 vai participar da preparação para a função. Wilson será o primeiro padre surdo do Paraná e vai atuar como assessor para os diversos trabalhos a serem realizados no Estado.

Referência

Hoepers explica que a paróquia serve como um ponto de referência para todos os surdos na cidade. Ele considera a igreja um lugar de apoio, onde podem desabafar e resolver conflitos pessoais. Lá os participantes recebem todos os tipos de orientações. Como a pastoral está concentrada em um único ponto, muitos surdos não conseguem acompanhar as atividades. "Alguns surdos têm dificuldades para vir até aqui. Estamos querendo descentralizar. Comunidades serão formadas em 2005 nos bairros Cajuru, Pilarzinho, Orleans e Boqueirão. Será feito o mesmo trabalho nestes locais. Isso permitirá o acesso dos surdos nas próprias comunidades. Somente os encontros gerais serão feitos na Paróquia São Vicente de Paula", declara o padre.

Serviço – Mais informações pelo telefone (41) 223-7924.