Atravessar uma esquina em que veículos vêm da esquerda, direita e do meio não é tarefa muito fácil sem o auxílio de farol para pedestres. É possível ver em várias ruas tranquilas o sinal que ajuda o pedestre a saber quanto tempo tem para ir de um lado ao outro da rua. Porém, em muitas esquinas movimentadas de Curitiba faltam semáforos para a população atravessar o cruzamento com tranquilidade.

Esse é o caso do entroncamento da Avenida Cândido de Abreu com a Rua Lysímaco Ferreira da Costa, no Centro Cívico, mais precisamente na esquina da prefeitura. No local, transitam carros vindo do Centro para o bairro, do bairro para o Centro e da rápida do Juvevê que vai em direção à Rua Mateus Leme.

“Já vi muitos acidentes, carros, motos e pedestres. Aqui teria que ter sinaleiro para pedestres, pois vêm carros de todos os lados”, opina a administradora Neiva de Fátima Almeida, que trabalha na Cândido de Abreu há 17 anos. Para não ser atropelado nesta esquina, ela diz que “você é obrigado a correr”.

Dificuldades

Outro ponto complicado fica no cruzamento da Rua Jacarezinho com a Avenida Manoel Ribas, no Mercês. Carros vindos de Santa Felicidade seguem em direção ao Centro e também viram na Jacarezinho sentido Barigui e logo que a via tem o sinal fechado, abre para quem está na Jacarezinho e vão em direção ao bairro e ao Centro. Enquanto isso, o pedestre tenta achar a brecha para atravessar sem perigo.

A balconista Patrícia de Andrade, que trabalha nesta esquina, diz que acidentes são comuns, pelo menos duas vezes por mês. “Na Jacarezinho um senhor foi atropelado e ninguém prestou socorro, o motorista bateu e saiu”, conta. Patrícia sugere a instalação de semáforo em que o pedestre aperta o botão para pedir a vez na travessia. Moradora da região, a professora aposentada Glorinha Mota concorda: “aqui é extremamente perigoso, precisava algum tipo de sinalização que facilitasse a vida do pedestre”.

Setran defende respeito

Questionada sobre a falta de sinalização para pedestres em pontos de difícil travessia, a Secretaria Municipal de Trânsito (Setran) defende que o ideal é o respeito mútuo na convivência entre motoristas e pedestres. O engenheiro do Setran, Igor Rocha Santi, cita o artigo 38 do Código de Trânsito Brasileiro, que diz: “durante a manobra de mudança de direção, o condutor deverá ceder passagem aos pedestres e ciclistas, aos veículos que transitem em sentido contrário pela pista da via da qual vai sair, respeitadas as normas de preferência de passagem”.

Mas a simples observação por alguns minutos em várias esquinas da cidade não é tão simples assim. Alguns segundos a mais de espera de todos os motoristas podem garantir a saúde e tranquilidade de várias pessoas diariamente. Sobre a eventual instalação de novos semáforos, Santi diz que “podem parecer poucos segundos naquele momento, mas isso vai gerar o travamento da fluidez do trânsito”.

Pegos de surpresa

Bem no Centro, o pedestre também é deixado de lado. No cruzamento da Rua Visconde de Nacar com a canaleta do biarticulado é uma bagunça, pois as pessoas devem ficar atentas também com os carros que chegam da Fernando Moreira.

A aposentada Marilisa de Campos Elias diz que tem muita dificuldade, ainda mais com o joelho pós-operado. “Eu fiz cirurgia no joelho, a perna dobra pouco. Agora mesmo eu vinha vindo e o trânsito estava limpo, já na hora que fui atravessar estava o Ligeirinho atrás de mim”, conta, referindo-se aos ônibus que seguem pela canaleta e também viram na Cruz Machado, sempre pegando de surpresa o pedestre desatento.