Diocir Lourenço / O Paraná

Os passageiros dos ônibus fugitivos também podem responder pelos crimes.

A aventura protagonizada por um comboio de ônibus de sacoleiros na última quinta-feira, que levou a polícia a uma perseguição pelas estradas do Oeste do Paraná, pode sair caro para os envolvidos. Vinte e dois condutores dos 23 veículos apreendidos na operação foram presos em flagrante e serão acusados de formação de quadrilha, receptação de mercadoria contrabandeada e desobediência. Apenas um motorista foi liberado. Os demais se encontram detidos na delegacia da Polícia Federal (PF) em Foz do Iguaçu.

A perseguição começou quando cerca de 30 ônibus deixaram Foz do Iguaçu, burlando a fiscalização. Eles furaram bloqueios montados pela PRE e foram perseguidos até mesmo por um helicóptero alugado pela Receita Federal (RF). Ao todo, 23 ônibus foram apreendidos e lacrados. Dezessete foram levados para a Receita Federal, em Foz. Os outros estão em Cascavel. A ação envolveu efetivos da Receita, Polícia Rodoviária Federal (PRF), Polícia Rodoviária Estadual (PRE) e Polícia Militar (PM) em quase 700 quilômetros de perseguição.

De acordo com o supervisor geral de operações da Receita de Foz, Gilberto Buss, as mercadorias apreendidas valem em torno de US$ 1 milhão. ?As fiscalizações em todos os ônibus só vão começar a partir do dia 12. Antes, vamos intimar todas as empresas donas dos veículos a apresentar documentação?, explicou. Buss revela ainda que os veículos também serão apreendidos e devem ser doados para prefeituras da região para o transporte escolar.

Os passageiros, que foram desembarcados e registrados nos locais onde os veículos eram abordados, também podem responder criminalmente. ?A PF vai investigar a carga. Como por lei ela deve estar etiquetada, será possível chegar aos donos. Se não houver etiqueta, a empresa transportadora será responsabilizada?, explica Buss. Ontem, a PF realizou uma busca prévia com cães farejadores na carga em busca de drogas, mas nada foi encontrado.

Helicóptero

O inspetor da PRF, Márcio Elson Albino, fez parte da equipe que deu apoio às forças policiais em terra durante a perseguição.? ?Já tinha participado de operações aéreas e por isso a Receita me chamou para a perseguição?. Ele explica que sem a ajuda da aeronave, não seria possível a localização dos veículos fugitivos. ?Conseguimos flagrar um ônibus que havia entrado num milharal e os passageiros tentavam esconder as mercadorias no meio da plantação?, diz. Segundo o policial, os veículos que não foram capturados tiveram sua placas fotografadas. Para Buss, as fotos auxiliarão a PF em capturar todos os envolvidos.