Aproximadamente 500 tartarugas-de-couro, espécie mais conhecida como tartaruga-gigante, deverão nascer na primeira quinzena de fevereiro, entre os balneários de Barrancos e Atami Sul, em Pontal do Paraná, no litoral do Estado.

Desde novembro, quando uma tartaruga dessas veio ao litoral desovar, a equipe do Laboratório de Ecologia e Conservação do Centro de Estudos do Mar (Lec/Cem) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) acompanha o animal, que botou de 70 a 100 ovos em cinco diferentes ninhos. A tartaruga-de-couro está ameaçada de extinção. Em todo o Brasil, apenas 20 animais estão em processo de desova.

De acordo com a pesquisadora colaboradora do Lec/Cem, Liana Rosa, o nascimento de tartarugas dessa espécie no Paraná pode ser considerado ocasional, uma vez que esse tipo de animal tem como comportamento desovar em locais com águas mais quentes, como em regiões acima do Rio de Janeiro.

“Esse mesmo animal tinha vindo em 2007 desovar no Paraná. Naquela época pensamos que ela havia se perdido, mas ao ver ela retornar nessa temporada concluímos que a tartaruga escolheu o nosso litoral como local para colocar seus ovos. Para nós é um privilégio”, diz. Naturalmente, a tartaruga gigante bota ovos com um intervalo que pode variar de 2 a 3 anos.

Na madrugada daquele dia, a equipe do laboratório monitorou, juntamente com o Batalhão de Polícia Ambiental Força Verde, a desova na restinga do balneário de Atami Sul.

No entanto, de acordo com Liana, a maior dificuldade em acompanhar esse processo é garantir que os animais nasçam perfeitamente, pois a cada mil nascimentos, apenas uma tartaruga chega ao tamanho do exemplar que está vindo ao litoral do Paraná.

“Por isso, estamos protegendo o local onde estão os ninhos para que ninguém cave por curiosidade. Também estamos informando a população com placas explicando a importância da área de desova, bem como do cuidado com a espécie”, diz. O local para nascimento das tartarugas deve ser protegido por restinga e com pouca luminosidade.

Para garantir o perfeito nascimento, o Laboratório de Ecologia e Conservação monitora os ninhos diariamente. Os biólogos verificam a temperatura dos ovos, que é essencial para o desenvolvimento dos embriões.

“Tudo está seguindo perfeitamente para o nascimento das tartarugas, o que deve acontecer na primeira quinzena de fevereiro. Estamos esperando ansiosamente pelo nascimento”, frisa a pesquisadora.