Foto: Lucimar do Carmo/O Estado

Categoria se concentrou na sede do Sindicato dos Policiais Federais no Estado do Paraná.

A Polícia Federal (PF) ameaça entrar em greve geral a partir de segunda-feira (26), caso o governo não conceda o reajuste de 30% reivindicado pela categoria. Em paralisação de advertência por 24 horas para forçar as negociações, os policiais foram surpreendidos pela decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de proibir reajustes do funcionalismo público acima da inflação. Técnicos dos Ministérios da Justiça, da Fazenda e do Planejamento, Orçamento e Gestão discutem a extensão da medida e se ela impede o acordo que era negociado com a PF.

Por meio de nota, o presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Francisco Garisto, disse que a resolução do TSE não alcança os entendimentos da classe, que teria perdas acumuladas de 128% nos últimos anos. ?Estamos pedindo a reposição de apenas 30%, retroativa a fevereiro?, observou. Mas, caso o governo endureça, o indicativo de greve geral será mantido, avisou. Assembléias para deliberar sobre a paralisação serão realizadas ao longo do fim de semana em todos os estados. Pela determinação do TSE tomada na noite de terça-feira (20), os aumentos salariais no serviço público em índices acima da inflação só podem ser concedidos num intervalo de 180 dias antes das eleições para evitar elevações eleitoreiras, o que configura crime eleitoral, com risco de impugnação da candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Garisto criticou os atropelos da administração federal, que, de acordo com ele, deveria ter concedido o acréscimo desde o início do ano, como havia se comprometido desde novembro, e reclamou da ausência do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, na reunião de anteontem para buscar uma saída para o impasse. ?Ele (Bastos) foi desmoralizado pela equipe econômica e a PF entra em greve geral na próxima segunda-feira?, avisou. O movimento de advertência, que terminou à meia-noite de ontem, contou com a adesão maciça de agentes, escrivães, papiloscopistas e até de delegados, que, pela primeira vez, aderem a uma paralisação geral da corporação.

O presidente da Federação Nacional dos Delegados da PF (FNDPF), Armando Coelho Neto, insinuou que o presidente do tribunal, ministro Marco Aurélio Mello, teria simpatia pelo PT de Lula. ?O ministro tem tradição polêmica. Suas decisões são exageradamente técnicas ou muito políticas. Sua decisão teve nítida conotação política porque ele tem simpatia por determinado partido político?, afirmou.

Servidores do Paraná aderem à paralisação

Cintia Végas

O Paraná foi um dos estados que aderiram à paralisação de alerta feita ontem pelos servidores da Polícia Federal. A categoria reivindica reajuste salarial e melhores condições de trabalho. ?Estamos há doze anos sem reajuste e as perdas acumuladas já ultrapassam 100% sobre os salários de todos os representantes da categoria. Em nossa última greve, ocorrida no ano de 2004, o governo federal disse que estaria aberto a negociações. Porém, até agora, não nos apresentou nenhuma proposta?, declarou o agente da PF e presidente do Sindicato dos Policiais Federais no Estado do Paraná, Edson Carlos da Silva.

Apesar de as perdas salariais já ultrapassarem 100%, os servidores aguardam reposições que variam de 30% a 65%, escalonadas de acordo com a função de cada trabalhador. ?Além de reposição salarial, queremos que seja realizado concurso público para a contratação de novos servidores da PF. Atualmente, em todo Brasil, a categoria é representada por cerca de 7 mil pessoas (sendo aproximadamente setecentas só no Paraná), mas muitas delas já estão se aposentando ou mesmo mudando de área. Para que a situação fosse ideal, seria necessária a contratação de no mínimo mais 7 mil servidores?, expõe Silva.

Na noite da última terça-feira, representantes de todos os setores dos servidores da PF participaram de uma reunião com o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, em Brasília (DF). Porém, o encontro não teve resultados considerados satisfatórios. Ontem, no Paraná, a PF só manteve suas atividades para garantir segurança de instrumentos físicos, atendimento a presos e resolução de casos emergenciais, como embarques imediatos ao exterior em aeroportos.

No Estado, a paralisação coincidiu com a realização de eleições para escolha de novos membros representativos do Sindicato dos Policiais Federais.