O restaurante do vale é cercado por tanques.

Praias exuberantes, bares à beira-mar, calor, paisagens tropicais. O turismo brasileiro ainda depende, e muito, dessa imagem. Por isso, a indústria do turismo comemora o verão e vê com desconfiança o inverno. Uma das poucas exceções está no circuito das serras.

Canela, Gramado e São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, Campos do Jordão, em São Paulo, Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis, no Rio, são circuitos já estabelecidos com atrações bem definidas, principalmente no meio do ano. O ar de montanha, as paisagens verdes, a gastronomia, o conforto e as atrações culturais são os principais atrativos do programa na serra. O curitibano que não quiser ir tão longe pode encontrar bem perto, em Piraquara, um pouco disso tudo. Em junho e julho, o ar gelado, a neblina no cair da tarde, a Mata Atlântica ainda conservada está lá pronta para ser visitada. “É um programa que o curitibano ainda desconhece”, explica Gilmar Clavisso, técnico da Emater na cidade e responsável pela definição de um circuito de turismo na cidade. O desconhecimento, na verdade, tem motivo. A cidade ainda está engatinhando na elaboração da infra-estrutura para o visitante. Até bem pouco tempo, nem o próprio município tinha suas atrações catalogadas. O trabalho começou a ser feito por Gilmar, há cerca de cinco anos. Produtores rurais, fazendeiros e donos de chácaras cheias de beleza entraram no esquema.

“Agora temos um programa”, comemora Clavisso.

A necessidade básica de qualquer cidade que queira desenvolver o turismo foi saciada. Piraquara tem uma pousada – uma boa pousada. É o Portal Tempero da Serra. Localizada a cerca de 3 km do centro de Piraquara, a pousada oferece apartamentos para casal e um chalé para até cinco pessoas. Em 12 alqueires cercados pelos morros do Vigia, do Canal e pelo Pico do Marumbi, a pousada oferece aquilo que quem quer fugir do estresse cotidiano tanto procura. Conforto, belas paisagens, um belo lago para quem quer pescar e até passeio a cavalo, desde que avisado com antecedência. Além disso, o visitante tem a certeza de que vai comer bem. No cardápio estão o barreado, quirera com costelinha de porco, peixes, frango desossado e sopas. A pousada também atende a grupos que queiram só almoçar e passar o dia, sem pernoite.

Passando um final de semana ou um dia, conhecer o Vale das Trutas também é um programa indispensável para quem for conhecer a cidade. O vale é uma obra do empresário Heitor Slomp. Natural do Rio Grande do Sul, Slomp preservou uma área de 420 alqueires no pé da serra e abriu à visitação uma das mais belas áreas do Paraná. O nome Vale das Trutas não é por acaso. Slomp cria cerca de 25 mil trutas em sete tanques naturais e sete cativeiros. A tarefa não é fácil As trutas, originárias do Canadá, necessitam de temperaturas e pH específicos. Slomp puxou a água do riachos, tratando e cercando as trutas. “Esse peixes não vivem em água suja. Além disso tenho de afastar os predadores. Nesse caso, as lontras. O restante do vale está cercado pelos tanques. Enquanto almoça, o visitante pode escutar o barulho das águas. O prato principal, é claro, nem precisa ser dito: trutas. Das mais variadas maneiras.

Mas o almoço é o ponto final do programa. Antes disso, Slomp percorre com os grupos de visitantes uma área repleta de espécies vegetais como o xaxim, o cedro, a canela e o jacarandá. Uma das nascentes do Rio Iguaçu também está na propriedade de Slomp.

A capital das águas, como é conhecida Piraquara, tem muita história para contar. Além do circuito trentino já descrito por O Estado, o visitante pode conhecer a primeira captação de água de Curitiba, construída no começo do século. Por muitos anos, a Represa do Carvalho abasteceu Curitiba com a água dos rios e riachos que nasciam na serra.