Este ano, o novo Plano Safra, que será anunciado em meados do mês de junho, deve se dedicar especialmente à produção de alimentos, através do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). O anúncio foi feito ontem, pelo Secretário Nacional de Agricultura Familiar, Walter Bianchini, que representou o Ministério do Desenvolvimento Agrário durante o lançamento da Jornada de Agroecologia – 2.º Encontro Paranaense, na sede do Sindicato dos Jornalistas do Paraná, em Curitiba. A jornada está prevista para 7 a 10 de maio, em Ponta Grossa.

Segundo Bianchini, a idéia é oferecer aos agricultores atendidos pelo programa incentivos para a produção de alimentos básicos, como arroz, feijão, milho, trigo, entre outros produtos. “A produção de grãos sempre esteve muito baseada no cultivo da soja, que é um produto mais voltado à exportação. Queremos que, durante esta nova safra agrícola, que terá início em julho, os agricultores se preocupem mais com o cultivo de produtos voltados ao mercado interno”, afirmou.

Devido ao lançamento do Programa Fome Zero, que só este ano deve beneficiar cerca de 1,5 milhão de pessoas, o secretário acredita que os alimentos básicos tenham um bom mercado dentro do País. “Para que o governo federal consiga beneficiar um número tão grande de pessoas, a oferta de produtos básicos deve aumentar cerca de 5%”, explica Bianchini. “A idéia do Pronaf é oferecer créditos mais altos para as pessoas que investirem no cultivo destes alimentos. É uma forma de incentivar os agricultores.”

De julho de 2002 até agora, o Pronaf investiu R$ 2,3 bilhões em agricultura familiar. No total, beneficiou cerca de um milhão de agricultores em todo Brasil, sendo 100 mil só no Paraná. Em média, cada agricultor recebeu R$ 2,3 mil em créditos. O dinheiro foi utilizado tanto para a compra de adubos e sementes quanto para a aquisição de animais, máquinas agrícolas, equipamentos de irrigação e pequenas construções. “Para este ano, a intenção do presidente Lula é elevar o valor do crédito concedido para até R$ 4 bilhões e aumentar em 30% ou 40% o número de agricultores beneficiados. Entre os um milhão de beneficiados, estão agricultores que vivem abaixo da linha de pobreza até agricultores com renda média entre R$ 10 mil e R$ 30 mil. A idéia é de que, de julho deste ano a julho do ano que vem, o benefício seja estendido, por exemplo, a agricultores que tenham renda média de até R$ 40 mil.”

O Plano Safra deste ano também deve se preocupar com a qualificação dos agricultares, visando um melhor aproveitamento do crédito investido. “Há escassez de recursos, mas também há bastante escassez de conhecimentos. A oferta de assistência técnica ao agricultor familiar deve contribuir para que ele saiba aplicar melhor o seu dinheiro e tire mais lucro da produção”, declarou o secretário.

Outro fator será o incentivo à agroecologia que, quando aplicada, pode ajudar na redução dos custos de produção. Através da agroecologia, o produtor pode aprender a trabalhar com a agricultura orgânica, tornando o solo mais equilibrado, contribuindo com a maior qualidade das águas e dos alimentos cultivados. “Temos que criar uma consciência agroecológica entre os agricultores e desenvolver tecnologias que reduzam os custos tanto a quem produz quanto a quem consome”, finalizou Bianchini.