A proposta do governo estadual de conceder aos policiais militares (PMs) reposição salarial média de 35%, dividida em três parcelas – uma no dia 1.º de janeiro de 2003, outra em 1.º de janeiro de 2004 e a terceira em 1.º de junho de 2004 – não agradou a categoria. Hoje eles devem se reunir para discutir as estratégias em demonstrar a insatisfação com o governo.

“Não aceitamos a proposta que o governo mandou para nós, porque a distorção salarial vai continuar. Esse é mais um engodo do governo”, criticou o sargento Elídio Donizete Rodrigues, presidente da Sociedade dos Subtenentes da Polícia Militar e membro do Conselho Fiscal da Amai (Associação de Defesa dos Direitos dos PMs ativos, inativos, pensionistas e viúvas). De acordo com ele, o maior reajuste proposto é de 39,51%, a soldados com mais de dez anos na corporação, enquanto o concedido à Polícia Civil foi de 120%.

“O governo Lerner está tratando com dois pesos e duas medidas”, reclamou o sargento, acrescentando que os PMs são uma espécie de ?filhos bastardos?. “Os policiais estão bastante apreensivos e não param de nos ligar”, comentou o presidente da Sociedade dos Subtenentes. Apesar de impedida por lei de fazer manifestações, o sargento Elídio afirma que a corporação tem outros mecanismos de mostrar a insatisfação, sem ferir a legislação. O salário inicial de um soldado é R$ 735,00.

“Houve mais de vinte reuniões de 2000 para cá, e tudo o que o governador negociou não cumpriu nada”, comentou o sargento, lembrando que em 2000 ficou acertado que a partir de fevereiro de 2001 haveria isonomia dos salários, o que não ocorreu. No ano passado, para pôr fim ao movimento das mulheres dos PMs, o governo teria prometido abono de R$ 100,00 aos policiais. “Ele paga um mês sim e dois não. Desta vez, ele está transferindo responsabilidade para o próximo governo”, criticou.

Mulheres

Ontem no final da tarde, um grupo do Movimento de Mulheres dos PMs foi recebido no Quartel Central para discutir a proposta salarial. De acordo com Lúcia Ferreira Sobral, a proposta será passada à tropa. Por enquanto, garantiu, não estão previstos novos fechamentos de quartéis. “Nós sozinhas não podemos fazer parar a tropa. Então, ou ela decide parar de uma vez ou continua trabalhando e aceita essa esmola”, comentou Lúcia.