Nove famílias foram despejadas de uma área da União em São José dos Pinhais na manhã de ontem e tiveram suas casas demolidas. A reintegração de posse na Rua Leônidas Sechi, Vila Zippin, foi cumprida por agentes da Polícia Federal e acompanhada por guardas municipais. Não houve tumulto, mas os desabrigados, em sua maioria autônomos, disseram não ter para onde ir.

As famílias ocuparam terrenos da extinta Rede Ferroviária Federal, onde construíram casas, quase todas de madeira. Segundo Ronald Rutyna, secretário-geral da União por Moradia Popular do Paraná (UMP), algumas viviam ali há mais de dez anos. A Justiça Federal atendeu o pedido de desocupação feito em ações movidas pela Advocacia Geral da União (AGU). “Não houve agressão. Os policiais e o oficial de Justiça foram muito respeitosos, mas foi traumático”, descreve Rutyna.

Sem parentes na cidade, a vendedora ambulante Marizete Sandra dos Santos, que morava no local há 3 anos e meio com duas filhas, deixou os móveis e pertences na casa de um vizinho, onde ficaria temporariamente. “Tinha luz e água legalizada e pagava IPTU e taxa de lixo. Fiz cadastro e assim que saísse meu apartamento, sairia pacificamente”, relata.

“Vamos encaminhar um expediente à Secretaria de Patrimônio da União (SPU) solicitando a área para um projeto habitacional de interesse social”, adianta Rutyna. Em outro trecho da área, estão sendo construídos 363 apartamentos para pessoas de baixa renda. “As famílias despejadas que estão cadastradas no Minha Casa, Minha Vida Entidades e atenderem os critérios do programa podem ser contempladas”, comenta.

Marco Charneski
Casas foram demolidas. Veja na galeria de fotos a situação das famílias.

Embora o terreno desocupado ontem esteja destinado a um posto avançado da Receita Federal, a Justiça Federal confirma que existe possibilidade de construção de moradias para famílias de baixa renda para onde os desabrigados poderiam ser futuramente realocados.

Tem mais casos

Segundo o superintendente da SPU, Dinarte Vaz, a primeira notificação aos moradores da vila ocorreu há nove meses. Ele revela que há mais casos de ocupações no terreno da União, mas já pediu à Justiça que futuras reintegrações só aconteçam quando houver um local definido para realocação.

A prefeitura informa que pediu à SPU prazo de 30 dias para buscar novo abrigo a duas famílias que viviam nas margens do Rio Pequeno e disponibilizou transporte e barracão para guardar os móveis, embora a maior parte das pessoas tenha preferido deixá-los em casas de parentes e amigos.

Veja na galeria de fotos a situação das famílias.