A Polícia Civil do Paraná promete paralisar seus serviços no próximo dia 24. O indicativo de greve foi decidido ontem em reunião com aproximadamente 250 servidores e integrantes do Sindicato das Classes Policiais Civis do Estado do Paraná (Sinclapol), do Sindicato dos Policiais Civis de Londrina e Região (Sindipol) e da União da Polícia Civil do Paraná (UPC-PR), em Curitiba.

A greve envolverá investigadores, escrivães, agentes, comissários de polícia, papiloscopistas, auxiliares de necropsia, peritos e trabalhadores policiais civis ativos e inativos. Uma manifestação no dia da paralisação será feita em frente ao Palácio das Araucárias, no Centro Cívico da capital.

Mesmo com a paralisação, os serviços da Polícia Civil continuarão a ser realizados, mas com apenas 30% do efetivo atual, de aproximadamente 3,3 mil servidores em todo o Estado.

“O indicativo representa um dia de alerta à população e ao governo do Paraná com relação ao sucateamento da nossa Polícia Civil. A paralisação também é uma forma de pressionar o Estado para que nossa categoria consiga alguns benefícios prometidos em 2005, como o PCCS (Plano de Cargos, Carreiras e Salários)”, explica o presidente do Sindipol, Ademilson Batista.

Já para o presidente do Sinclapol, André Luiz Gutierrez, caso a categoria não consiga ao menos ter acesso ao PCCS, greve poderá ser deflagrada, dessa vez sem data para terminar.

“O governo afirma que o PCCS já está pronto, mas até agora não vimos nada. Caso chegue em nossas mãos com essa paralisação, iremos estudá-lo. Caso contrário, vamos deflagrar um novo indicativo de greve, para então cruzar os braços por tempo indeterminado”, adianta.

Além da ausência do PCCS, a categoria reivindica melhores salários, aumento de efetivo, real cumprimento da jornada de 40 horas semanais e pede fim da segregação na instituição, ou seja, tratamento isonômico entre os servidores.

“O salário da Polícia Civil está entre os mais baixos no Estado. Somos como primos pobres dos altos salários do serviço público paranaense. Nosso salário inicial é de aproximadamente R$ 1,9 mil. Isso é muito baixo para um policial civil. Queremos melhorias”, reclama Batista.

Agentes

Ainda ontem, agentes penitenciários de 23 unidades prisionais do Estado também marcaram greve, em princípio, para o próximo dia 21. A paralisação foi decidida em audiência realizada pelo Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen).

Segundo o presidente do Sindarspen, Clayton Agostinho Auwerter, os servidores lutam pelo cumprimento da lei federal que institui o porte de arma de fogo, reajuste do adicional de atividade penitenciária, além de alterações nas escalas com período de descanso de 48 horas para cada 24 horas de trabalho e melhorias na infraestrutura. Por meio da assessoria de imprensa, a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) afirmou que não iria se pronunciar sobre tais paralisações.