Moradores do bairro Cachoeira, em Curitiba, estão indignados com o que chamam de descaso por parte da Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab). Eles denunciam que o conjunto de moradia popular Jardim Maringá, no próprio bairro, está com as obras atrasadas e que diversos materiais de construção foram roubados ou destruídos porque não haveria alguém para cuidar do local. Uma placa que fazia publicidade da obra também foi destruída.

O aposentado e morador da localidade Reinaldo Domingues da Silva afirma que o conjunto populacional deveria ser entregue em junho passado. Porém, os trabalhos estão na fase de terraplanagem do terreno. “Em dezembro do ano passado, o então prefeito Beto Richa veio até aqui com a promessa de que as obras das 156 casas já estavam em andamento e que a conclusão seria na metade do ano. Até o momento, o que se vê é isso: terraplanagem e a construção de quatro casas, que estão destruídas e que viraram ponto para desocupados consumirem drogas. Isso sem falar nesta pilha de tijolos, que vem sendo roubada ou destruída”, avalia. Domingues da Silva diz estar triste com o que chama de “jogar o dinheiro público no lixo”.

“O dinheiro utilizado para a construção destas casas e para a compra dos materiais de construção veio dos impostos que a gente paga. Já faz tempo que construíram essas quatro casas e somente agora é que começou a terraplanagem. É lamentável que a verba pública não esteja sendo gasta de forma adequada. A sensação é de abandono”, revela.

O também aposentado e morador da região, Luiz Vinholi, conta que está indignado com o que ele diz ser descaso por parte da Cohab. “Estamos cansados de ouvir promessas. É uma pena em ver que muita gente já poderia ter uma residência digna e ainda não tem. Essa obra só vem trazer benefícios para a população carente e também beneficiaria o bairro, uma vez que obras para melhorar as ruas seriam realizadas”, lamenta.

A Cohab, por meio de sua assessoria de comunicação, informa que não há atrasos na obra. Uma primeira fase deve ser entregue ainda no final do ano, com a conclusão para o primeiro semestre de 2011.

A companhia questiona se os tijolos encontrados próximos das quatro casas construídas são mesmo de sua posse, pois o material não estaria dentro da área do empreendimento.

As casas construídas são, segundo a Cohab, como um modelo para que as famílias beneficiadas saibam como é a casa. A assessoria informou que estas serão recuperadas futuramente para que as pessoas cadastradas possam utilizá-la.