Uma escola que não é dividida em salas de aula, não é classificada em turmas, nem séries, e a direção cabe aos pais dos alunos. Parece mentira? Pois esta escola existe e está localizada a cerca de 50 km ao norte da cidade do Porto, em Portugal. Instalada na Vila das Aves – um lugarejo miserável -, a Escola da Ponte se tornou referência internacional pelo método diferenciado.

“Quando se pensa em escola pública, imagina-se logo menor recurso, menor investimento. Mas a escola onde estou é a prova de que não é impossível trabalhar em escola pública com excelência acadêmica”, diz orgulhoso o idealizador do projeto, o pedagogo português e diretor da escola. José Pacheco, que está em Curitiba desde a última terça-feira, ministrando oficinas e palestras para professores e pais interessados.

Muita teimosia

Fundada há 27 anos, a escola passou a adotar o novo método um ano depois de inaugurada. “Quando fui para lá, a escola era infestada por ratos, baratas. Estava tudo podre, com mau cheiro e o banheiro estava caindo aos pedaços”, conta o professor, acrescentando que levou “uma idéia e muita teimosia” para viabilizar o projeto.

Sobre a base adotada, Pacheco aponta que “não é preciso adotar determinada corrente, teoria ou moda.” “O que importa é que as pessoas se interroguem e quando o fazem, que procurem os livros em busca de respostas”. Segundo ele, a questão principal quando implantou o projeto foi : “Como é possível fazer das crianças seres sábios e felizes?”

A escola atende crianças e adolescentes de 5 a 18 anos de idade, vítimas de uma série de problemas, desde abandonadas pelos pais, portadores de HIV, portadores de deficiência física e mental, entre outros. A escola tem capacidade para 80 alunos, mas conta com 240 matriculados, e as aulas são ministradas em pavilhões.

Inclusão social

A preocupação não é apenas com a educação, mas a inclusão social dessas crianças. Segundo Pacheco, além de os pais estarem no comando da escola, são os próprios alunos que definem regras de direitos e deveres. “Não sei o que é indisciplina. Não acontece isso lá dentro. Mas, claro, é preciso criar espaço para que eles definam o que podem ou não fazer”, pondera. Em relação às escolas tradicionais, o pedagogo diz não ser contra. “É preciso que as escolas percebam, no entanto, que estão fora do prazo. As mudanças em educação são lentas, e os alunos não podem ser cobaias”, arremata.