Há pouco mais de um mês, o advogado Fabrício Luz, morador do Portão, resolveu levar os dois filhos para andar de bicicleta em uma das praças localizadas na região. Ele escolheu um espaço público situado na esquina entre as ruas Coronel Airton Plaisant e Paulino Leitoles, no bairro vizinho do Santa Quitéria. Porém, ao tentar usar a estrutura da praça, que conta com brinquedos e até uma pequena pista de bicicleta, Fabrício se deparou com um local cercado por grades e com os portões trancados por cadeados.

“Aconteceu num domingo. No outro seguinte, mesma coisa. Portões fechados. Não dá pra entender um espaço público, com equipamentos e lixeiras da prefeitura, com grade e portas fechadas com cadeados”, desabafa. Indignado com a situação, o advogado conversou com vizinhos, que alegaram que a praça foi cercada porque havia virado local de ação de marginais e consumo de drogas e álcool.

Uma moradora, que vive em uma casa em frente à praça e preferiu não se identificar com medo de represálias por parte dos marginais, confirma que o local se tornou reduto de desocupados. “Se você andar pela praça, vai ver fogueiras, dezenas de garrafas de bebidas e muito lixo. À noite vira um verdadeiro mocó”, conta.

Gerson Klaina
Vizinhos confirmam que, à noite, local vira um verdadeiro mocó.

Outro morador, que também preferiu não revelar a identidade, disse que o espaço é administrado pela rede de supermercados Walmart, proprietária de uma loja nas proximidades. “Pelo que sabemos, quem administra e faz a manutenção da praça é o Walmart, que tem as chaves dos portões. Nós vizinhos, que moramos no entorno, também temos as chaves, mas mantemos a praça fechada quase que em tempo integral, pois isso inibe a ação dos marginais. Mas os desocupados vivem invadindo e depredando tudo”, revela.

Após se deparar com grades e portões fechados por duas oportunidades, Fabrício afirma que é inadmissível que um espaço público seja utilizado como uma área particular. “Não deixa de ser um espaço que podia estar sendo utilizado por toda a população, já que se trata de um terreno público, mas que funciona como uma área de lazer particular, exclusiva para alguns moradores”, lamenta.

Terreno do Estado cedido a mercado

O terreno da praça pertence à ParanáPrevidência, estatal que administra as aposentadorias e pensões dos servidores públicos estaduais. Segundo o órgão, a área é ocupada pela rede Walmart, já que para aprovar a execução da obra do hipermercado, a prefeitura de Curitiba exigiu que fossem preservados, sem nenhuma edificação, outros dois lotes: um deles para acesso de veículos e o outro, localizado na Rua Coronel Airton Playsant, local onde fica a praça, para reserva de permeabilização e área verde.

Por meio de nota, o Walmart Brasil informa que investe constantemente para que sua presença nas comunidades possa melhorar a qualidade de vida das pessoas. “O hipermercado Walmart, localizado no bairro Vila Izabel, procura dar condições para que a praça localizada na Rua Cel. Airton Plaisant sirva como espaço de lazer para os moradores da região. A empresa conta com o senso de coletividade da população para manter o local preservado”, diz o comunicado.

Gerson Klaina
Moradores estranham área de lazer em terreno público cercada por grades e com portões trancados por cadeados.