Em agosto do ano passado, o consumidor paranaense que ia ao mercado em busca de carne de frango congelada pagava, em média, R$ 5,66 pelo quilo da ave. Em agosto deste ano, um cenário bem diferente: a mesma compra encareceu 49%, segundo dados do levantamento mensal da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab) do Paraná. O quilo da ave chegou a R$ 8,43 e nem o fato de o estado ser o maior produtor avícola do mundo arrefeceu a aceleração dos preços.

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Assim como com as aves, a carne suína (outra produção na qual o Paraná é protagonista nacional) vem tendo seguidas escaladas de preços no varejo. Confira nos gráficos abaixo a elevação dos últimos dois anos.

Por trás dos números, que superam em muito a inflação no período (de 9,30%), uma explicação preocupante: a origem está nos custos mais elevados para se produzir aves e suínos. A produção de frangos no Paraná ficou mais de 70% mais cara de 2019 para cá e a de suínos, mais de 80% E esse cenário, uma tempestade perfeita para preços altos, deve se manter no curto prazo.

Dólar alto e foco na exportação elevaram preços 

Economista e analista de mercado independente, Fábio Sanchez indica que uma junção de fatores pressionou os preços no campo, o que consequentemente chegou às gôndolas. “Com o dólar batendo R$ 5, R$ 6, é normal que a agroindústria do estado passe a mandar mais produtos para fora e aumente o seu faturamento. Mas, da mesma forma, os insumos trazidos de fora custam mais caro. Muitas vezes, até mesmo insumos no Brasil ficam mais custosos já que os fornecedores também preferem exportar”, explica.

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A opinião é semelhante ao posicionamento de Luiz  Eliezer Ferreira,  técnico  do  Departamento  Técnico  e  Econômico (DTE) do Sistema Faep/Senar do Paraná. “Entre os principais fatores que corroboraram com este cenário está o aumento do custo com a ração. Os preços da saca de soja e de milho mais que dobraram. Na safra atual estamos com problemas na produção de milho e ele representa 70% da ração de suínos e aves”, diz.

Ferreira indica que contribuíram também para o inflacionar os números o aumento do preço da energia elétrica (que encareceu especialmente por conta da crise hídrica), o fim de subsídios para o setor rural, o aumento do custo de mão de obra durante a pandemia e até mesmo o preço dos equipamentos de proteção individual (os EPIs) – eles são comuns na produção rural, mas na pandemia o produtor precisou disputar máscaras, por exemplo, com o mercado geral; no auge da escassez desses itens, o preço disparou.

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Para os especialistas, não há uma perspectiva animadora, ainda que os produtores estejam buscando estratégias de redução de custo. “No caso da energia elétrica, eles têm investido em fontes renováveis de energia. No Paraná há um apoio do governo do estado para que o produtor implante sistemas solares e gere sua própria energia (…). Com a mão de obra e alimentação, os produtores têm negociado na indústria a melhora de sua remuneração. Eles têm recebido um aumento; têm recebido mais pelo frango e pelo suíno entregue. Mas estes aumentos não estão sendo suficientes para compensar o aumento no custo de produção. Os produtores estão trabalhando no vermelho”, diz Luiz Eliezer.

Para Sanchez, sem uma perspectiva de redução do dólar ou melhora na crise hídrica, é provável que o cenário se repita e os números voltem a escalar no ciclo 2021/2022. “O Paraná conviverá com a dicotomia de ter uma grande produção, um faturamento alto no campo, mas preços e custos muito elevados. É longe do ideal”, diz.

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