O prefeito de Bocaiúva do Sul, Élcio Berti, decidiu ontem pela manhã, após uma reunião com os vereadores, manter o decreto que proíbe homossexuais residirem na cidade. “Vou manter o que já está decidido. Tivemos essa conversa na prefeitura e tudo vai continuar como estava. O decreto permanece valendo”, afirmou o prefeito.

Cerca de quarenta representantes de entidades homossexuais fizeram, na quinta-feira um protesto em frente à prefeitura da cidade, contra o decreto assinado na terça-feira. Um grupo de gays, lésbicas e simpatizantes participaram do movimento contra a decisão do prefeito.

Os manifestantes chegaram em Bocaiúva de ônibus e se colocaram em frente à prefeitura, onde estenderam uma bandeira com as cores do movimento gay. Temendo as manifestações, a prefeitura permaneceu fechada na quinta-feira, mas ontem voltou a funcionar normalmente.

“Não tenho medo de novas repressões, quero o bem da minha cidade. Todos os dias, os representantes dos grupos ligam para meu gabinete, cobrando uma decisão a favor deles, mas mesmo assim não vou abandonar o decreto. Já está decidido. Quero manter a cidade pura, cercada de gente trabalhadora. É preciso aumentar a população e com esses tipos de manifestações o objetivo não vai ser realizado. Enquanto for prefeito, o decreto continua”, diz Élcio.

Mobilização

O presidente do Grupo Dignidade, que atende homossexuais e funciona em Curitiba, afirmou que a entidade prestou queixa de discriminação contra o prefeito na Divisão de Polícia Metropolitana, na tarde de ontem.

“Estamos tomando todas as providências possíveis para que a justiça seja feita. Discriminação é crime e tem que haver punição. Além de prestar queixa, nós vamos amanhã (hoje) para Brasília entregar um parecer para o Conselho Nacional Contra a Discriminação. E também vamos aproveitar para pedir a expulsão do prefeito do partido do PFL, pois o que Élcio está fazendo fere um dos itens do Estatuto do partido”, afirma Tony.