A Comissão de Segurança de Edificações e Imóveis (Cosedi) da Secretaria Municipal do Urbanismo interditou nesta quinta-feira ( 5), o Edifício Dom José, na esquina das ruas Monsenhor Celso e José Loureiro, no Centro. O imóvel tem 144 apartamentos residenciais e lojas no térreo e apresenta problemas na estrutura, nos sistemas de prevenção contra incêndios, nos elevadores, nos vidros e janelas e corrosão na armadura.

Pela primeira vez, a Prefeitura interdita um imóvel residencial inteiro em Curitiba. De acordo com o engenheiro da Cosedi Jorge Castro, desde 2002 o condomínio do edifício recebe solicitações de laudos de vistorias e notificações, mas os avisos foram ignorados. “O condomínio nunca se pronunciou”, contou o engenheiro.

Segundo Castro, há risco para os moradores, para os comerciantes das lojas do térreo e da vizinhança e para os pedestres que circulam em frente ao imóvel – vidros e parte do revestimento já caíram nas calçadas. “Agora cabe ao síndico orientar os moradores para que eles deixem o imóvel”, informou Castro. O síndico não estava no prédio no momento da interdição.

Por descumprir a lei, o condomínio do Edifício Dom José já tem aproximadamente R$ 20 mil em multas. O valor poderá dobrar se a interdição não for cumprida.

O vendedor de consórcios Carlos Tadeu Alves, que mora no prédio há dois anos, terá que deixar seu apartamento, mas acredita que a interdição é necessária. “Lamento pelas pessoas que não têm para onde ir, mas existe uma série de problemas, é só olhar para o prédio para ver que há riscos”, disse ele. “Os moradores até já solicitaram providências, mas o síndico as ignora, há um descaso e não sabemos o que fazer”, disse.

O comerciante Luiz Nishida é dono de uma loja de roupas ao lado do Dom José, mas também sofre com os problemas do edifício. “Sempre cai parte do reboco no meu telhado e eu tenho que arcar com as despesas do conserto. Espero que agora isso seja resolvido, pelo bem dos moradores e da vizinhança”, comentou.

De acordo com engenheiro da Cosedi, há outros cinco imóveis em Curitiba onde o condomínio ignora as solicitações de Prefeitura. As mesmas medidas para a interdição serão tomadas. “Muitos síndicos não estão preocupados com a segurança dos moradores e essa também é uma obrigação deles. Esses prédios que oferecem perigo à população serão interditados”, afirmou Castro.