Foi preso na última semana um Policial Militar suspeito de cometer 22 homicídios em Tamarana, na região norte do Paraná. O policial, que desde 2012 está afastado das atividades nas ruas, foi detido após ser delatado por um traficante de drogas da cidade. Ele está preso no Quartel do Comando Geral da PM, em Curitiba.

Segundo informações da Polícia Civil, o PM passou a ser investigado após o relato de uma vítima, que sobreviveu ao ataque e reconheceu o homem. A princípio, ele estava sendo investigado por três crimes, mas a delação de seu comparsa acabou envolvendo o policial nos outros 19 casos.

Em entrevista à rádio Band News, o delegado Ricardo Jorge, da Delegacia de Homicídios de Londrina, explicou como a investigação chegou à identidade do acusado. “Uma vitima, que sobreviveu, procurou a delegacia e relatou que reconheceu o policial apontando a arma, que correu mas levou dois tiros nas costas”. Por ficar a cerca de 50 quilômetros de Londrina, as investigações estão a cargo da delegacia de homicídios da cidade.

O PM chegou a ser preso em outubro do ano passado, suspeito de cometer seis crimes, mas foi solto no dia 31 de dezembro por força de um habeas corpus concedido à defesa. O delegado afirma que não sabe qual juiz deu liberdade ao acusado, mas conta que sua presença nas ruas atrapalhou as investigações. “Isso trouxe imenso prejuízo, porque as vitimas e testemunhas ficaram amedrontadas. Outras testemunhas não quiseram comparecer, com medo do autor. Como ele é PM, mesmo afastado, gerou bastante temor na região”, afirmou.

Segundo as investigações, os crimes teriam em comum algumas características, o que faz a polícia tratar os casos como crimes em série. Além do uso do mesmo carro, o criminoso usava um rifle com silenciador, que é uma arma de longo alcance e que teria o som abafado pelo dispositivo.

Conforme relatou o delegado londrinense, até mesmo o prefeito da cidade teria presenciado um dos crimes cometidos pelo policial militar. “A esposa de uma vitima mencionou que o suspeito cometeu um crime em 2016, no dia das eleições. Ela relatou que o PM chegou atirando e mencionou que até o prefeito da cidade presenciou o fato”.

Com isso, a Delegacia de Homicídios de Londrina pretende coletar o depoimento do administrador da cidade vizinha. “Vamos intimar o prefeito da cidade de Tamarana para ver se ele pode nos ajudar, na qualidade de testemunha”, destacou.

A defesa do PM, em nota, afirma que os casos ainda estão em fase de investigação e que não há provas que liguem o policial aos crimes. A Prefeitura de Tamarana foi procurada para comentar o caso, já que o prefeito Beto Siena teria sido apontado por uma das vítimas como testemunha de um dos crimes, mas ninguém da administração municipal foi encontrado até o fechamento da reportagem.