Uma estimativa do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil aponta que 45% dos acidentes de trabalho envolvem os membros superiores, principalmente dedos e mãos. Foi o que aconteceu com Gisele Burini, que acabou perdendo o dedo indicador da mão direita no seu oitavo dia de trabalho. "A máquina disparou enquanto eu estava encaixando uma peça", revelou Gisele, que ficará seis meses sem poder trabalhar.

Mas os acidentes no trabalho representam apenas 11,4% dos casos de traumas na mão. Um estudo realizado em 2003 indicou que quase metade dos acidentes (49,2%) ocorre em casa, principalmente com crianças. Portas, janelas, fogões e objetos cortantes são os principais causadores dos acidentes domésticos. A estudante Simone Karam, 25, teve a mão esmagada por uma cama aos dois anos de idade. Perdeu o polegar da mão direita. Apesar de não ter dificuldades para escrever, trabalhar e fazer as atividades do dia-a-dia, ela confessa que "por questões estéticas, acabo, inconscientemente, escondendo a mão machucada".

Para tentar diminuir o número de acidentes dessa natureza, que correspondem a 30% de todos os registrados nos prontos-socorros brasileiros, está sendo lançada hoje a 3.ª Campanha Nacional de Prevenção dos Traumas da Mão. Até domingo, cirurgiões da mão de Curitiba estarão visitando empresas e promovendo palestras para a sociedade com o objetivo de orientar a população sobre como evitar tais acidentes.

Organizadora da campanha e chefe do Grupo de Cirurgia da Mão do Hospital Universitário Cajuru, a médica Giana Silveira Giostri acredita que grande parte dos acidentes pode ser evitada. "Tanto em casa quanto no trabalho, a maioria dos acidentes ocorre por distração", explica. Para Giana, o primeiro passo para a prevenção é a adequação do ambiente.