A obstrução de um córrego está causando o alagamento de uma propriedade rural, em São José dos Pinhais, nos fundos da montadora Renault. O problema ambiental surgiu durante a terraplanagem para a construção da fábrica, e hoje a situação se agravou, pois além da transformação da vegetação, grande parte da propriedade está improdutiva. O problema foi denunciado por O Estado em fevereiro, mas até agora a Renault e nem o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) tomaram providências sobre o caso.

O agricultor Paulo Della Bruna adquiriu a área de dois alqueires há 15 anos, e pretendia trabalhar com fruticultura. Ele conta que com as obras da construção da fábrica, o córrego – que antes tinha 1,5 metros de largura com água potável, peixes e formava um meandro entre a mata ciliar – ficou totalmente obstruído. Com isso, o seu leito natural foi desviado formando um atoleiro, que provocou a seca da vegetação. Della Bruna disse que tentou conter o problema com alternativas como a construção de um tanque de peixes e drenagem, mas nada adiantou.

Esses problemas já foram denunciados pelo agricultor. No ano passado, um geólogo do IAP foi até o local e constatou que houve um assoreamento de parte do córrego em função do despejo de “material de bota-fora” proveniente das obras de implantação montadora. Porém, o profissional previa que o desassorreamento iria acontecer de forma natural, o que não aconteceu. Diretores da empresa também estiveram no local e prometeram uma solução, que ainda não veio.

“Defensora da natureza”

O produtor afirma que não quer nenhum tipo de indenização pelos prejuízos, mas que o problema seja solucionado para que possa usufruir da propriedade. Há quatros meses o presidente do IAP, Mário Rasera, afirmou que enviaria uma equipe ao local para fazer um novo laudo, mas até ontem ninguém do órgão esteve na área. Rasera não foi encontrado para falar sobre o assunto. Della Bruna conta que após a matéria publicada em O Estado, em fevereiro, algumas pessoas, que não se identificaram, cortaram a cerca que divide os dois terrenos. Ele disse que avisou a empresa, pois teme uma invasão na região. A Renault também não se pronunciou sobre o caso.

Porém, na semana passada, a assessoria da Renault divulgou o lançamento de uma política ambiental dentro da montadora, como forma de comemorar o Dia Mundial do Meio Ambiente, em 5 de junho. Em material enviado à imprensa, a empresa afirma que a fábrica de São José dos Pinhais foi construída “em uma área anteriormente utilizada para pastagem, preservando as reservas naturais ao seu redor”. A empresa também se considerada uma “verdadeira defensora da natureza”, afirmando que adota medidas para preservação e melhoria do meio ambiente, apontando como ações o plantio de 10 mil mudas de árvores frutíferas.