É através da fala que o ser humano transmite emoções, expressa sentimentos e se comunica com o mundo ao redor. Os problemas relacionados ao ato de falar – considerado simples pela maioria das pessoas – podem desencadear sérios transtornos psicológicos e sociais. Segundo a fonoaudióloga Marta Mônica Cassarotti, de Curitiba, os problemas de fala costumam se manifestar na infância, logo que a criança começa a pronunciar as primeiras palavras. Os principais são: atraso na fala, disfalia (troca de sons) e gagueira.

É considerado comum que crianças pequenas troquem letras – por exemplo o s pelo z – quando estão começando a falar ou que algumas crianças comecem a falar um pouco antes do que outras. Porém, Marta explica que aos quatro anos de idade meninos e meninas já devem estar falando normalmente.

“Crianças e adolescentes que possuem problemas de fala acabam enfrentando uma série de problemas. Eles acabam sendo motivo de piadas na escola e se tornando inibidos”, explica a fonoaudióloga. “Se os problemas não forem tratados, irão se refletir na vida adulta, gerando pessoas inseguras, que não conseguem manter bons relacionamentos pessoais e profissionais.”

Quanto mais cedo os pais detectarem problemas de fala em seus filhos, mais cedo eles serão solucionados. Por isso, é importante estar sempre atento maneira como a criança pronuncia as palavras, comparar a fala dos filhos com a de outras crianças da mesma idade, observar como eles agem na escola, saber se a audição é perfeita e pedir orientações ao pediatra.

Se algum problema for identificado, Marta aconselha os pais a não demonstrarem preocupação à criança, mas procurarem um fonoaudiólogo que possa indicar o tratamento mais adequado. “A correção dos problemas é feita pela estimulação da fala através de atividades lúdicas, como jogos e brincadeiras. Os pais também aprendem a lidar com as dificuldades dos filhos e a corrigi-las”.

O tempo de tratamento depende do grau de dificuldade que a criança apresenta, mas a fonoaudióloga conta que as melhoras são visíveis logo nas primeiras sessões e que muitos problemas são resolvidos dentro de seis meses.

Pacientes

Juliana Soares Oliveira, de 7 anos, tem dificuldades em pronunciar determinadas letras e encontros consonantais. Sua mãe, a bancária Neila Tavares da Silva, percebeu o problema e ontem a levou para uma avaliação fonoaudiológica. “Tentei resolver o problema em casa, ensinando a Juliana a falar corretamente. Quando percebi que isso era impossível, resolvi procurar ajuda profissional”, revela. “Tenho medo que os problemas de fala venham a prejudicar minha filha na vida adulta”.

A vendedora Denise Maria Pereira Manna notou que o filho, João Vítor Manna, de quatro anos e meio, tinha dificuldades para falar desde que começou a pronunciar as primeiras palavras. O menino realiza tratamento há dois meses e vem demonstrando progressos. “Ele ainda comete alguns erros, mas já fala bem melhor. Meu medo era que ele, por falar errado, também começasse e escrever errado, o que é muito comum entre crianças com problemas de fala”, diz Denise.