Dos 6.800 professores da rede municipal de ensino que passaram pelo programa de qualidade vocal implantado pela Prefeitura de Curitiba em 1997, pelo menos 30% apresentaram rouquidão freqüente, e alguns tiveram que ser afastados temporariamente. Segundo a especialista em voz Cida Stier, isso ocorre porque a maioria dos docentes ainda não sabe utilizar a voz de modo adequado em sala de aula.

A professora Juliane Saliban, de 35 anos, descobriu que as cordas vocais não estavam saudáveis quando participou do programa há seis anos. Ela já tinha problemas de causa orgânica e a situação se agravou com o esforço da voz. Desde os 17 anos, ela dá aulas, principalmente de educação física, com carga horária de 8 horas por dia. Ano passado fez uma cirurgia para retirar um cisto e um nódulo de uma prega vocal. Depois disto ficou 90 dias afastada da sala de aula.

Juliane conta que até então não tinha a mínima idéia sobre como cuidar da voz. No programa, ela aprendeu e hoje não dá aula sem antes fazer aquecimento vocal. “Vou fazendo dentro do carro, enquanto estou indo para a escola”, diz. Além disso, a garrafinha de água virou companheira constante. Alguns hábitos também ficaram para trás, os gritos cederam o lugar para o apito e com os exercícios aprendeu a falar de modo mais natural, sem esforçar tanto a voz.

Conscientização

Segundo Cida, é possível constatar que depois que o programa começou, aumentou a consciência entre os professores sobre os cuidados com a voz. Um dos sinais é presença constante das garrafas de água nas salas de aula. “O objetivo do programa é a prevenção”, diz. Ela recomenda ainda que quando a rouquidão persistir por mais de 15 dias deve-se procurar o médico, pois pode ser sinal de algum problema mais sério nas cordas vocais. Além de ensinar o uso da voz, o projeto proporcionou tratamento para quem necessitava. Grande parte dos docentes já recebeu capacitação, mas ainda faltam setecentos profissionais.

Dicas para a prevenção

Não fumar e evitar bebidas alcóolicas. Manter boa hidratação diária. Evitar pigarrear, tossir com força e competir com ruídos. Evitar gritar ou falar por muito tempo. Mastigar bem os alimentos, exercitando os músculos da fala. Evitar pastilhas, cristais de gengibre e drops mentolados, antes e durante o uso profissional da voz. Ingerir carboidratos, proteínas, pouca gordura e muitas fibras.