Átila Alberti / O Estado do Paraná
A professora com a
aluna Solange: vocação.

Ensinar e transformar a vida das pessoas. Essas são as reais paixões de um professor. Por causa disso, ele passa a expandir seus conhecimentos para fora da sala de aula, em plena atividade ou quando se aposenta. São trabalhos de voluntariado, exercidos na tentativa de dar oportunidade para aqueles, que por diversas razões, não puderam se dedicar. Uma pessoa como esta é o verdadeiro exemplo no Dia do Professor, comemorado hoje.

A professora Odete de Paula atua nas salas de aula desde 1966. Há pouco tempo se aposentou, mas continuou trabalhando no Centro Estadual de Ensino Básico de Jovens e Adultos (Ceebja), na unidade do Sesi da Cidade Industrial de Curitiba (CIC). Faz três anos que se dedica ao conhecimento como voluntária. Ela faz um trabalho de alfabetização e equivalência ao primeiro segmento do ensino fundamental (referente ao período entre 1.ª e 4.ª séries) na Igreja Provisão e Vida, no bairro Capão Raso, em Curitiba, em parceria com o projeto Mutirão das Letras, da Secretaria Municipal de Educação.

A vocação foi o principal motivo para Odete não querer ficar em casa depois de tantos anos lecionando. “Todo professor com vocação é um voluntário em potencial. E ser voluntário é doar parte de seu tempo e de suas habilidades para melhorar a qualidade de vida da comunidade”, afirma. Ela explica que voltou a trabalhar e passou a ser voluntária por acreditar que um novo mundo pode surgir por meio da educação. “Procuro transformar o mundo com mais justiça e paz”, considera Odete.

O mundo de Solange Sena de Carvalho, de 50 anos, está iniciando seu processo de transformação. Ela está estudando com a professora Odete, após desejar entrar em uma sala de aula por muito tempo. “Estou estudando pela primeira vez. Minha mãe morreu quando eu tinha 11 anos e me casei aos 14. A família não incentiva a estudar. Agora, já sei escrever, e muito bem”, conta, orgulhosa. Ela está cursando o primeiro seguimento do ensino fundamental. “Hoje eu durmo melhor, como melhor, vivo melhor porque sei ler e escrever.” Solange fala que aprende a viver com as aulas. “Já gostaria de ajudar os outros, assim como me ajudaram. Com certeza irei ensinar outras pessoas um dia”, aponta a estudante.

Admiração

Odete dá aulas na igreja para 23 alunos, principalmente do sexo feminino, entre 35 e 81 anos. “Eu admiro muito essas pessoas, pois estudam com muitas dificuldades pelas limitações da própria vida”, comenta. De acordo com ela, ensinar nessas condições é um trabalho muito gratificante, especialmente quando as primeiras evoluções ocorrem. “Quando já escreve seu nome, aluno e professor se emocionam juntos”, conta. Para ela, ser voluntário é um trabalho de mão dupla, pois faz bem para o alfabetizador e para o aluno. Odete recomenda o voluntariado tanto aos professores aposentados quanto àqueles que estão na ativa.