Os professores que estão no Centro Cívico, em frente à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), nesta quarta-feira (29), bloquearam todas as entradas possíveis dos deputados na Casa. Com esse bloqueio pode haver confusão no entorno da Alep. A votação para o projeto que prevê modificações na previdência do funcionalismo público deverá ir ao plenário por volta das 14h30.

Os professores esperam mobilizar 20 mil integrantes da categoria, vindo de vários núcleos sindicais do interior, para ocupar a Praça Nossa Senhora de Salete. Ontem, houve confronto entre policiais e manifestantes. Pelos menos 13 professores ficaram feridos. Os confrontos de ontem entre manifestantes e policiais motivaram professores que estavam no interior, que seguiram com destino à Curitiba.

A APP-Sindicato orientou os manifestantes a ficarem na rua, em frente à Assembleia, e não se dispersarem para os arredores do prédio. Para evitar até mesmo que deputados chegassem a Alep, os professores bloquearam diversas ruas que dão acesso à assembleia. Apesar do cordão, a relação entre professores e policiais se mantém calma, mas o clima deve esquentar quando os parlamentares começarem a chegar para a sessão.

A manifestação começou na Praça 19 de Dezembro e os professores caminham em direção à Alep, direto ao encontro dos mais de mil policiais que bloqueavam o acesso. Quando se aproximaram da Alep, não conseguiram colocar o caminhão de som da APP-Sindicato mais a frente, na Cândido de Abreu, e houve confusão.

Professor deitou em frente ao ônibus da PM. Foto: Reprodução/Marina Oliveto.

Um ônibus da PM foi enviado para bloquear a passagem do caminhão de som e um dos professores causou alvoroço ao tentar impedir a passagem do veículo. Ele deitou no chão, em frente ao gigante e muitos manifestantes se juntaram ao ato. Um cordão feito pelos professores, além dos que estavam no chão, impediu que o ônibus passasse. Para evitar que algo pior acontecesse, o veículo não saiu do local.  

Costas viradas

Victor Raski, de Cianorte, sentou de costas para os policiais que estão no local. “Eles são da minha cidade, quero mostrar que eles também são explorados”, explicou. Raski acredita que as forças policiais estão no Centro Cívico por obrigação, mas que não é preciso tratar com brutalidade os professores.

“Nessa terça-feira a gente estava em paz, em uma manifestação pacífica, buscando apenas o nosso direito. Não era preciso tratar a gente como eles fizeram”, desabafou. 

O rapaz, que é estudante de pedagogia, se solidarizou com os professores antigos e, por isso, veio à Curitiba. “As mudanças na lei não vão afetar a minha carreira, mas sim a dos professores que deram suas vidas pela educação. Isso não é justo”. 

Projeto que modifica a previdência deverá ser votada às 14h30. Foto: Lucas Sarzi.

Ministério Público

O Ministério Público do Estado do Paraná, por meio da Procuradoria-Geral de Justiça e do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Proteção aos Direitos Humanos, expediu Recomendação (nº 01/2015) ao Governador do Estado, ao Secretário de Estado da Segurança Pública e ao Comandante-Geral da Polícia Militar, no sentido de que seja assegurado o direito à realização de manifestações públicas pacíficas nos arredores da A,ssembleia Legislativa do Estado do Paraná.

 Na Recomendação, o MP-PR orienta que não haja intervenção policial, salvo para garantir a segurança dos participantes ou para conter a eventual prática de infrações penais.