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Os professores da Unioeste já confirmaram a greve.

Cerca de 70 mil alunos podem ficar sem aulas nas seis universidades e sete faculdades estaduais do Paraná a partir do dia 1.º de agosto. Os professores consideraram o reajuste salarial de 6,57%, anunciado pelo governo do Estado na última quinta-feira, insuficiente em comparação com as perdas da categoria. Em virtude disso mantiveram o indicativo de greve a partir do mês que vem. Os docentes calculam, com base em dados do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), que já perderam 25 salários nos últimos dez anos por causa da falta de reposição das perdas referentes à inflação do período.

?O governador (Roberto Requião) coloca como se os 6,57% fossem aumento. Mas não temos reposição das perdas nem ganhos reais desde 1997. Nenhum governo resolveu a nossa situação. E o Requião diz que o problema é das outras gestões. Mas ele assumiu com todas essas questões?, argumentou a presidente do Sindicato dos Professores da Universidade Estadual de Londrina, Inês de Almeida. Ela ressaltou que, antes de decidir pela greve, o comitê com representantes de todas as universidades e faculdades procurou ?todas as pessoas que poderiam apontar uma solução?.

A UEL e as Universidades Estaduais do Centro-Oeste (Unicentro), de Ponta Grossa (UEPG) e do Norte Pioneiro (UENP) devem realizar assembléia geral no dia 1.º para decidir sobre a oficialização da greve. As faculdades devem seguir esse movimento. Já as Universidades Estaduais de Maringá (UEM) e de Cascavel (Unioeste) já decidiram pela greve e vão realizar uma assembléia no próximo dia 21, em Maringá, para debater o assunto novamente.

O presidente do Sindicato dos Docentes da Unioeste, Luiz Fernando Reis, contou que ainda há uma possibilidade de negociação com a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. ?Pode haver uma reunião na semana do (próximo) dia 16 e estamos dispostos a continuar negociando. Mas se o governo não apresentar nenhuma proposta não vai demover a categoria do indicativo de greve?, afirmou. As 13 instituições têm cerca de 7 mil professores, entre ativos e inativos. Reis lembra que o Estado tem cerca de 800 professores temporários, que não são atingidos pelo reajuste.

Além da questão financeira, a vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino em Maringá, Maria de Fátima Vianna de Souza, lembra que a baixa remuneração está fazendo com que muitos professores deixem de lecionar no ensino superior estadual.