Foto: Chuniti Kawamura/O Estado

Profissionais percorreram as ruas centrais de Curitiba até o Palácio Iguaçu. A baixo, uma ?tropa de choque? lembrando o dia 30 de agosto de 1988.

Com faixas, bandeiras e fantasias, professores da rede pública estadual marcaram ontem, em Curitiba, o 30 de agosto, considerado dia de luta e luto dos educadores do Paraná. Há 18 anos, nesse mesmo dia, a categoria teve uma mobilização por salários e melhores condições de trabalho reprimida por uma ação, considerada violenta, do governo do Estado. Policiais impediram que os manifestantes chegassem até o Palácio Iguaçu, e alguns professores ficaram feridos durante o confronto. A APP – Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná estima que cinco mil pessoas participaram da mobilização este ano, diferente do número contado pela PM, que divulgou cerca de 1.300 professores.

Como fazem todos os anos, os docentes vieram em caravanas de diversas regiões do Paraná e se concentraram na Praça Santos Andrade, de onde seguiram em passeata até o Palácio Iguaçu. Muita gente resolveu vir fantasiada para representar a indignação contra aquele 30 de agosto de 1988, bem como contra as decisões do atual governo. Haviam professores vestidos de palhaços, de anjos negros e de policiais, que carregavam cacetetes e escudos simbolizando a tropa de choque.

Outros ainda decidiram ironizar e trouxeram alguns ?presentes? para o governador Roberto Requião. Uma professora trouxe uma cesta cheia de mamonas – lembrando o episódio onde o governador comeu por engano as sementes da planta oferecida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva -, além de um caixão, para simbolizar o enterro do governo.

Mas, brincadeiras à parte, os professores queriam mesmo era chamar atenção para as reivindicações que ainda não conquistaram. A pauta da categoria reúne 25 itens ainda em fase de negociação com o governo, dentre eles a equiparação salarial dos professores com funcionários estaduais que possuem nível superior, criação do plano de cargos e salários para os funcionários de escolas, redução no número de alunos por sala de aula e mais recursos para a educação.

Sem respostas

Na chegada ao Palácio Iguaçu, por volta do meio-dia, uma comissão de educadores se preparava para ser recebida pelo governo. No entanto, o encontro não aconteceu. De acordo com a secretária educacional da APP, professora Marlei Fernandes de Carvalho, não havia nenhuma equipe com poder de negociação designada pelo governo. ?É a primeira vez que não somos recebidos nesta data?, protestava.

Inicialmente, a audiência seria feita com o secretário-chefe da Casa Civil, Rafael Iatauro, mas, segundo a professora, ele não estava no Palácio Iguaçu. ?O governo não se dignou a sequer escalar uma equipe para falar com os professores?, afirmava. Os manifestantes também reclamavam a ausência do secretário de Educação do Estado, Maurício Requião. ?Fizemos um boneco do secretário e entregamos na porta do Palácio Iguaçu, porque não queremos mais o irmão do governador no cargo?, ressaltou.

Maurício Requião, no entanto, está afastado do cargo há cerca de um mês. Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Educação (Seed), não havia nenhum encontro agendado com o secretário em exercício, Oscar Bezerra. Já a assessoria de imprensa da Casa Civil confirmou que havia uma reunião agendada para as 10h, mas, como os professores chegaram atrasados, o secretário Rafael Iatauro não pôde esperar, uma vez que estava com viagem marcada. Mesmo assim, assessores foram designados a receber a pauta dos professores e encaminhá-la ao governador.

Por volta das 14h, os manifestantes começaram a deixar o Palácio Iguaçu e as delegações iniciavam o retorno para o interior do Estado. O próximo encontro dos professores com o governo está marcado para segunda-feira, quando uma comissão deve se reunir com representantes da Secretaria de Administração e Previdência para cobrar providências com relação ao concurso público para funcionários das escolas, a ser realizado ainda este ano.