Carla Riffel Schirbech, 38 anos, dona-de-casa, desenvolve trabalhos voluntários. Ela se interessou em alfabetizar um grupo de senhoras da terceira idade. Mas aí surgiram muitas dúvidas sobre o que fazer, como ensinar. Pensando em ajudar estes voluntários, as Faculdades Curitiba em parceria com o Rotary Clube 4730 desenvolvem desde 1999 um projeto de capacitação, onde ensinam como alfabetizar adultos.

Carla diz que começou seu trabalho em abril deste ano. Conta que o início das atividades pareceu mais difícil para ela do que para o grupo de 10 mulheres que pela primeira vez ganhava um lápis e um caderno. “A insegurança era muito grande. Tinha medo de fazer algo que afastasse elas do trabalho”, diz. Mas aos poucos ela foi vencendo o medo e agora com as aulas de capacitação está tendo mais segurança. “O primeiro dia de aula foi muito marcante. Três senhoras derramaram lágrimas, achavam que iam morrer sem aprender a ler e escrever”, anima-se Carla.

O método ensinado pelas professoras Cristina Surek e Marise Lima Perón foi amplamente usado na Tailândia e conseguiu bons resultados. O Lighthouse-Iliminar é parecido com o método defendido pelo educador Paulo Freire. Ele começa o processo de alfabetização a partir da realidade dos alunos. “Se eles querem ser alfabetizados para ler a bíblia, pode-se partir de textos bíblicos”, exemplifica Cristina. Ou ainda se querem melhorar seu desempenho no trabalho pode-se trabalhar com formulários e até com a carteira de trabalho. “Não usamos cartilha. O material de trabalho é confeccionado junto com os próprios alunos”, fala Cristina.

A professora diz ainda que o método além de estimular a aprendizagem, também ajuda a formar leitores que compreendam o significado daquilo que lêem, combatendo o anafabetismo funcional que atinge 31,2% da população brasileira. São pessoas que sabem ler e escrever mas não conseguem apreender o significado de textos que passem que uma frase.

Durante o processo de alfabetização também são trabalhados valores com os alunos, onde o resgate da auto-estima e a herança cultural de cada um ganham destaque. Até o momento o programa já capacitou 1.200 pessoas em Curitiba e Interior do Estado. O curso tem 20 horas de duração. Segundo a professora, em 1996 no Paraná 11,6% da população era analfabeta, hoje o número caiu para 8,6%.