O Bisfenol A (BPA) é um produto químico que, quando introduzido no organismo humano, interfere na parte reprodutiva de pessoas adultas e no crescimento de crianças.

Por isso, está em trâmite na Câmara Municipal de Curitiba, um projeto de lei, de autoria do vereador Aladim Luciano (PV), que visa proibir a produção, fornecimento e venda de mamadeiras e brinquedos infantis compostos por elementos plásticos que liberem a substância.

Pela proposta, fabricantes, fornecedores e comerciantes de artigos que liberem o BPA ficarão obrigados a informar sobre os males gerados pelo mesmo, de forma visível em embalagens, rótulos e postos de venda. A substituição dos artigos deverá ocorrer em um prazo de até dois anos após o início do vigor da lei, caso ela venha a ser aprovada.

“A ideia de elaborar o projeto de lei partiu de organizações ambientais, de defesa do consumidor e pessoas que conhecem os riscos gerados pelo Bisfenol. Esta substância já foi proibida no Canadá e nos Estados Unidos, sendo que as restrições de utilização vêm crescendo em todo mundo”, diz o vereador Aladim.

Segundo a doutora em Química e professora dos cursos de graduação em Biomedicina e Farmácia da Faculdade Pequeno Príncipe, Adriana Pimentel, o BPA, quando introduzido no corpo, tem características semelhantes às dos hormônios femininos. Ele interfere na produção, liberação, transporte e metabolismo dos hormônios no organismo.

“O Bisfenol interfere na parte endócrina, nos processos de crescimento humano. Também pode conferir características femininas aos indivíduos (fazendo, por exemplo, que meninas entrem mais cedo na puberdade), além de causar câncer em quem o ingeriu ou em seus descendentes. Nos adultos, também pode atuar na parte reprodutiva”, afirma.