Um projeto do Departamento de Zoologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) pode salvar da extinção uma espécie de macaco encontrada no litoral do Estado.

Há cerca de um ano, uma equipe de pesquisadores, composta por alunos de mestrado e doutorado da área de Biologia, vem desenvolvendo o Projeto de Monitoramento do Mico-leão-de-cara-preta, conhecido como mico caissara, no Parque Nacional de Superagüí.

No entanto, os pesquisadores acreditam que o monitoramento dos primatas poderia ser melhor aproveitado não fosse a falta de apoio de órgãos ambientais, do poder público e da iniciativa privada.

De acordo com o coordenador do projeto, Fernando de Camargo Passos, a equipe realiza o monitoramento de cinco indivíduos da espécie. Para ele, que considera fundamental o estudo dos animais no seu habitat natural para conservar a espécie, o acompanhamento de um número maior de micos poderia aproximar mais o conhecimento da realidade dos animais.

“Com mais recursos, poderíamos saber com mais precisão os hábitos desses animais. Com isso, ações de proteção poderiam ser implementadas com mais eficácia”, atesta Passos.

Além de contar com o apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, que cede alojamento para os pesquisadores, o projeto é viabilizado apenas com doações da ong internacional Lion Tamarins of Brazil Fund (LTBF) para viabilizar a pesquisa.

Porém, os pesquisadores consideram que outros recursos poderiam tornar os trabalhos mais confortáveis e eficientes. “Existem equipamentos que poderíamos usar para localizar os animais com mais facilidade em campo. Se pudéssemos, compraríamos rádios transmissores equipados com GPS. Assim pouparíamos tempo, podendo nos concentrar em fatores mais relevantes para a pesquisa”, comenta a bióloga Gabriela Ludwig.

Para o biólogo Rodrigo Moro Rios, um incentivo maior às pesquisas pode fazer com que a situação de risco de extinção do mico-leão-de-cara-preta passe pelo mesmo processo que mudou a situação do mico-leão-dourado.

“Houve um tempo em que o mico-leão-dourado foi alvo dos esforços de pesquisadores, apoiados por incentivos públicos e privados. Isso fez com que o número de indivíduos passasse de cerca de 200 para mais de dois mil, num período de 20 anos”, afirma.

Os pesquisadores estimam haver cerca de 400 indivíduos numa área de 67 mil hectares de área no município de Guaraqueçaba e na região do litoral sul de São Paulo.