Foto: Chuniti Kawamura

Alex Canziani: jovens ficariam
de fora por pressão da prova.

Um projeto de lei, em análise na Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados, pretende alterar a forma de ingresso nas universidades públicas, eliminando o vestibular e aumentando o número de vagas. A idéia é valorizar o ensino regular como processo de formação do cidadão, utilizando notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e provas específicas para cada curso na seleção. 

Os alunos que ingressassem pelo sistema, cerca de o triplo dos que ingressam atualmente, enfrentariam então um ano de pré-graduação, de onde sairiam apenas os melhores e mais preparados para o curso regular.

De acordo com o autor do projeto, o deputado federal Alex Canziani (PTB-PR), a iniciativa vai dar a oportunidade para que mais jovens entrem em contato com o ambiente universitário e tenham um ano para demonstrar seu potencial. ?Às vezes, um jovem brilhante não vai bem no vestibular por conta da pressão da prova e fica fora da universidade?, disse

O idealizador da proposta do Projeto de Lei 6.137/2005 foi o professor aposentado do Departamento de Matemática da Universidade Estadual de Londrina (UEL) José Carani, que trabalha na idéia desde o início dos anos 90s. ?Eu me baseei no sistema europeu, onde há efetivamente mérito para se entrar na graduação. O Brasil tem o pior sistema de acesso ao ensino superior no mundo?, contou.

Para ele, um dos vários objetivos da nova forma de entrar na universidade é também reduzir a evasão, que hoje, segundo dados dele, varia de 25% a 40%. ?No Departamento de Matemática da UEL, recebíamos 40 alunos por ano e formávamos apenas cinco. Isso acontece por falta de empatia com o curso e é desperdício de dinheiro público?, explicou.

Segundo José, outro benefício é a valorização do ensino médio. ?Da maneira como está hoje, o jovem é apenas treinado para o vestibular, perdendo os melhores anos da sua vida. Com o sistema novo, o Enem será a principal prova e ele tem uma avaliação mais ampla que os vestibulares?, explicou.