A frente parlamentar que acompanha o aproveitamento do potencial energético do Estado reuniu ontem, em Londrina, as partes interessadas e diretamente atingidas pelo polêmico empreendimento da Usina de Mauá, em vias de ser construída no Rio Tibagi, região dos Campos Gerais. O Consórcio Cruzeiro do Sul – responsável pelo empreendimento, formado pela Copel e Eletrosul-Centrais Elétricas, defendeu a construção da usina em contraponto aos demais participantes, entre membros das comunidades ribeirinhas, ambientalistas e docentes da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Estes, cheios de questionamentos, levaram poucas respostas do encontro.

A expectativa para a audiência era que o consórcio apresentasse aos presentes as respostas dadas aos questionamentos que o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) lhe havia encomendado com relação ao empreendimento. Ao todo, 71 condicionantes colocadas pelo instituto sobre os impactos da usina no meio ambiente deveriam ser esclarecidas. A Copel, por sua vez, alegou que as respostas já foram encaminhadas ao IAP e que o posicionamento, portanto, deveria partir do órgão. Mas não houve representantes do instituto presentes à reunião.

Em vista disso, o deputado Tadeu Veneri (PT-PR), que preside a frente, informou que convocará o IAP a fornecer oficialmente as explicações aos parlamentares que compõem a comissão na Assembléia Legislativa do Estado. No caso de a licença de instalação ser concedida antes das explicações, a frente promete pedir a anulação da mesma.

Atingidos

Mesmo ainda sem essa licença, moradores disseram ontem, na audiência, que a empresa que deve executar as obras já está se instalando na cidade de Telêmaco Borba, onde o projeto prevê a colocação das turbinas.

As comunidades agrícolas e ribeirinhas estão temerosas. Defendem que, ainda que sejam indenizadas, terão sua subsistência prejudicada, uma vez que parte dela provém do rio. Os ambientalistas também questionam a implantação da usina.