Nem flores, nem bombons. Para marcar o seu dia, as mulheres que foram ontem à Rua XV de Novembro clamavam pelo combate à violência. Em passeata que saiu da Boca Maldita e seguiu em direção à Praça Garibaldi, no Largo da Ordem, elas fizeram barulho para dar atenção ao problema que leva cerca de 30 denunciantes à Delegacia da Mulher diariamente, de acordo com a Polícia Civil.

O ato reuniu mais de 40 organizações da cidade, como movimentos sociais, sindicais, de mulheres e outros. A manifestação terminou em frente à sede da Secretaria Municipal Extraordinária da Mulher, instalada oficialmente ontem, e que para elas representa reforço no combate à violência. “A Lei Maria da Penha existe no Brasil, mas infelizmente ainda não está implementada. Precisamos de mais polícias e centros de atendimento”, lamenta a coordenadora da Marcha Mundial das Mulheres, Regina Cruz.

Violência

No ano passado, a CPMI que investiga a violência contra mulheres apontou o Paraná como o terceiro Estado em homicídios femininos, com base no Mapa da Violência elaborado pelo Instituto Sangari, em parceria com o Ministério da Justiça. São 6,3 mulheres mortas a cada 100 mil. Piraquara aparece como a cidade mais violenta do Estado, onde mais de 24 mulheres são mortas entre 100 mil.

Para a integrante do coletivo de mulheres do PT e assessora da APP-Sindicato, Marilda Ribeiro da Silva, mesmo com a criação da secretaria, a mobilização continua. O próximo passo é lutar pela criação da secretaria estadual e seguir com a articulação da gestão pública. “Esta é a nossa grande exigência. A secretaria vai poder implementar políticas”, diz ela, que aponta a integração de todas as áreas, como saúde, educação, serviço social e outros, fundamental para o combate efetivo. “É preciso atender as mulheres, dar condições de superarem o trauma e não ficarem dependentes do companheiro que a agrediu”, destaca.