Foto: Jornal O Estado do Paraná
Seguranças e funcionários do supermercado
Carrefour perderam a paciência com
os integrantes do Greenpeace.

Os ambientalistas do Greenpeace realizaram ontem um protesto contra os produtos transgênicos no Supermercado Carrefour, no bairro Champagnat, em Curitiba. Os dezesseis ativistas rotularam com adesivos diversas mercadorias suspeitas de conter material geneticamente modificado, como óleos e bebidas de soja. Os manifestantes também tentaram reorganizar as prateleiras, separando os produtos transgênicos dos outros, e distribuíram um manual contendo os nomes de produtos e marcas que utilizam transgênicos.

A manifestação, ocorrida pela manhã, acabou em confusão com os ativistas e jornalistas presentes para a cobertura do acontecimento. Os seguranças e funcionários do supermercado tentaram impedir a continuação do protesto dentro da loja e agrediram, física e verbalmente, todos os envolvidos. O filtro da máquina fotográfica de um repórter foi quebrado e outro profissional teve seu cartão de memória, que armazena as fotos, confiscado pelo supermercado. Um cinegrafista do Greenpeace foi ferido no olho, mas passa bem.

Depois das agressões, jornalistas e ativistas permaneceram impedidos pelos funcionários do Carrefour de deixar a loja por cerca de meia hora. A polícia foi chamada e fez o procedimento padrão, com boletim de ocorrência. Os advogados das duas partes estiveram no local e acertaram que não vão fazer representações sobre o acontecido. O supermercado arcou com os prejuízos materiais dos fotógrafos.

Na avaliação de Gabriel Vuolo, da Campanha de Engenharia Genética do Greenpeace, o objetivo do protesto foi alcançado, apesar da confusão. “São produtos que passam por fiscalização e os transgênicos não são detectados”, explica. A organização escolheu o Carrefour para os protestos por ser uma grande rede de supermercados, mas não há ligação específica do estabelecimento com os produtos geneticamente modificados.

O Greenpeace quis alertar para a não aplicação do Decreto 4680, de 24 de abril de 2003, e da Portaria 2658, de 22 de dezembro do ano passado, que estão em vigor desde o final de março de 2004. Eles determinam que todos os produtos que contenham mais de 1% de matéria-prima transgênica devem vir com um rótulo que mostre essa informação. Além disso, exige que as mercadorias que não contenham o DNA transgênico em sua composição final (como óleos, margarinas e lecitinas de soja, usada em bolachas), devem trazer na embalagem a frase “Fabricado a partir de transgênico”. Segundo o Greenpeace, as determinações não estão sendo respeitadas pelo governo e indústrias.

Sem transgênico

O setor de comunicação do Carrefour informou que a empresa não é contra qualquer tipo de protesto ou o Greenpeace. Atestou que os produtos fabricados pelo supermercado não contém transgênicos, enfatizando que é apenas distribuidor de outras marcas. Segundo o assessor de imprensa do supermercado, Edson di Fonzo, já foi solicitado para que os fornecedores cumpram o decreto.

Sobre as agressões, ele afirmou que o excesso foi em decorrência da própria situação e como ela se desenvolveu. De acordo com ele, funcionários do Carrefour não são orientados a impedir o trabalho de cobertura da imprensa. O supermercado ainda comunicou que as mercadorias danificadas durante o protesto não serão cobradas da organização.