Cerca de 25 mil pessoas, entre professores, educadores estaduais e funcionários públicos do Paraná se concentraram, na manhã desta terça-feira (05), na Praça 19 de Dezembro (Praça do Homem Nu). Eles estão se preparando para a assembleia da categoria que acontecerá na Vila Capanemanesta tarde, onde votarão os rumos da greve na educação.

Após a concentração os manifestantes seguiram até a Praça Nossa Senhora de Salete e se mantiveram em frente à Assembleia Legislativa e o Palácio Iguaçu, onde o espelho d’água foi tingido de vermelho. O objetivo é protestar contra a violenta repressão à manifestação dos professores na última quarta-feira (29), que terminou com pelo menos 213 pessoas feridas.

Por conta disso, toda a Avenida Cândido de Abreu foi bloqueada para veículos. Próximo ao final da manifestação, todos cantaram o hino nacional e foi um dos momentos de bastante emoção no ato.

“Trata-se de um ato nacional em defesa do que aconteceu no dia 29 de abril. A categoria está indignada. Vamos continuar a luta a favor da escola pública. A categoria vai pedir a nulidade da votação do projeto de lei que muda a previdência. Vamos a Brasília tomar medidas necessárias para não deixar esse governo impune”, relatou Marlei Fernandes, da AppSindicato.

Ainda na manhã desta terça-feira (05), a categoria teve uma reunião com o governo. Encontro este que pode colocar fim ao movimento de greve. Ou não. “O principal assunto do encontro de hoje com os representantes da secretaria da educação é tratar da data base dos servidores. Vamos ver o que o governo traz para a mesa de negociação, além de bomba de gás lacrimogêneo e bala de borracha”, disse Marlei, em referência a grande violência enfrentada pelos professores no dia 29 abril.

Os manifestantes pediam, além da saída do governador Beto Richa, a retirada também de Fernando Francischini da Secretaria da Segurança Pública e Administração Penitenciária (Sesp). O secretário afirmou justificou nesta segunda-feira (04), que supostos black blocs (ativistas adeptos de estratégia anarquista) foram os principais causadores da guerra durante a manifestação da semana passada. 

Os manifestantes não atacaram, muito menos tentaram invadir a Alep. Foto: Lucas Sarzi.

Flores

Um dos momentos que mais chamou atenção de manifestantes e de todos que observavam o protesto no Centro Cívico, foi a colocação de flores nas grades da Assembleia Legislativa do Paraná. O local em que os professores foram atacados pelos PMs foi coberto com flores de diferentes tipos, para simbolizar a paz. “O nosso luto já passou. Agora é a hora de lutar pelos nossos direitos e mostrar que nós não vamos desistir”, justificou Marlei.

Ao contrário do que aconteceu na semana passada, os poucos policiais militares que estiveram na Praça Nossa Senhora de Salete se mantiveram distantes. A manifestação foi acompanhada, além da PM, por guardas municipais e agentes da Secretaria Municipal de Trânsito (Setran), que bloquearam o fluxo de veículos para a passagem das pessoas. O protesto seguiu pacífico. 

Cartaz produzido por alunos de Campo Largo. Foto: Lucas Sarzi.

Estudantes

Muitos alunos de colégios estaduais de todo o Paraná também estiveram na manifestação. De Curitiba, estudantes de diversas escolas participaram do protesto, entre eles os alunos do Colégio Estadual do Paraná, o maior do Estado.

Os estudantes seguiram ao lado dos professores e carregaram cartazes. Uma das frases carregadas pelos estudantes, que mais chamou atenção, dizia: “minha educação não é privada, mas o governo está cagando nela”. O cartaz era segurado por alunos do Colégio Estadual Clotário Portugal, de Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba.

“A gente acha muito injusto o que está acontecendo com os professores e com todos os funcionários. É muito injusto levarem bomba e tiro de bala de borracha por uma luta que também é nossa. Por isso viemos pra cá para apoiá-los”, disse Lana Gabardo, estudante do 3º ano do ensino médio.

Música

A banda curitibana Relespública lançou nesta terça-feira (05) uma música de apoio aos professores do Paraná. Depois que os manifestantes chegaram em frente ao Palácio do Iguaçu, a banda Javali Banguela fez um show para todos. 

Categoria segue em peso na luta pelos direitos e contra a violência do dia 29. Foto: Aliocha Maurício.
Professores e educadores já estão na Alep. Foto: Aliocha Maurício.