Lucimar do Carmo / O Estado
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Congestionamento causou fila
de mais de dois quilômetros.

Um grupo de moradores do município de Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba, fechou ontem por cerca de três horas a rodovia BR-116, no Contorno Leste. Com pneus colocados na pista e faixas indicando a interdição da rodovia, os manifestantes cobraram do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) uma série de obras para facilitar e dar mais segurança aos pedestres que moram no município e precisam cruzar a via.

Os manifestantes se concentraram no quilômetro 75, próximo ao distrito de Borda do Campo, mas também montaram barreiras no sentido contrário da rodovia. Como havia uma faixa indicando a interdição da pista – no acesso ao Contorno Leste -, poucos motoristas se arriscaram a seguir pela via. Já no sentido da rodovia em direção a São Paulo, a fila de congestionamento passou de 2 quilômetros.

A manifestação foi promovida pela Associação de Moradores de Borda do Campo. Eles cobravam a construção de passarelas, trincheiras e alças de acesso. De acordo com o líder comunitário Roberto Carlos da Conceição, os moradores queriam a presença de um representante do Dnit "e que ele desse um prazo para o início das obras". Ele relata que, com a construção da via, o distrito foi dividido ao meio e a população precisa arriscar a vida para cruzar a rodovia.

O morador de Borda do Campo, Adenilson Pereira, lamenta que há cerca de um mês a avó de 74 anos morreu atropelada quando esperava no acostamento para atravessar a estrada. "Ela foi uma das diversas pessoas que já foram vítimas da rodovia", falou. Já Mauro Boutin reclama que a linha do ônibus necessita de asfalto, "pois quando chove é uma lama, e nos demais dias, ninguém agüenta o pó". Ele comentou que a pavimentação da via foi uma promessa do Dnit como forma de compensação pela construção do contorno.

Multa

O supervisor da unidade de Colombo do Dnit, Ronaldo de Almeida Jares, informou que as obras reivindicadas pelos moradores devem iniciar em janeiro. A demora ocorreu devido a alterações no projeto inicial do contorno. Segundo ele, na semana que vem representantes do órgão irão se reunir com a comunidade local para dar detalhes das obras, que incluem ruas marginais, viadutos e alças.

A Polícia Rodoviária Federal acompanhou a manifestação e resolveu liberar as pistas antes do previsto, porque entendeu que houve desorganização do movimento. De acordo com o chefe da 1.ª Delegacia da PRF, Adriano Marcos Furtado, os moradores comunicaram a polícia no dia anterior, porém iniciaram o protesto uma hora antes. "Eles não esperaram a chegada da polícia e bloquearam a pista sem segurança, colocando em risco a vida das pessoas. Além disso, permitiram que veículos trafegassem na contramão", falou. Depois de um bate-boca com os manifestantes, a polícia resolveu multar quatro veículos por parar em cima da pista.