O Palco Ruínas teve uma pausa nas apresentações musicais deste sábado (09) e, no início da noite, abriu espaço para um bate-papo sobre drogas, com Tarso Araújo, editor da revista Galileu, autor do livro Almanaque das Drogas, o jornalista e blogueiro Zé Beto e o diretor do Departamento de Política Municipal Sobre Drogas da Prefeitura de Curitiba, Diogo Busse. Com a mediação do jornalista Álvaro Borba, o encontro contou com um público participativo, que levantou vários questionamentos e interagiu com os debatedores.

A proposta do debate foi conversar sobre drogas de maneira franca e direta, abordando vários aspectos e pontos de vista. Uma das discussões girou em torno do estigma existente quanto às drogas e a absoluta aceitação em relação ao álcool, que igualmente causa danos e serve como porta de entrada para o uso de outras substâncias. “O álcool é a droga mais perigosa e a mais culturalmente aceita”, disse Diogo Busse. Na sua opinião, não há políticas públicas inteligentes para lidar com esse assunto, como foi feito, por exemplo, com o cigarro.

O jornalista e blogueiro Roberto José da Silva, mais conhecido como Zé Beto, falou de sua experiência como ex-dependente e hoje voluntário em clínica de tratamento contra dependência química. Para Zé Beto, a dependência em qualquer tipo de droga pode ser uma doença e a falta de apoio dado aos dependentes decorre justamente da falta de informação. Segundo ele, uma política pública eficiente não deve proibir o uso. “A proibição só aumenta a curiosidade. O mais correto é informar sobre o que pode acontecer”.

Outro enfoque do debate foram as propostas de redução de danos. Busse falou sobre uma ação da Prefeitura de Curitiba, que dispõe de um ônibus equipado para prestar assistência a usuários que estão em situação de extrema vulnerabilidade. “Não vai resolver o problema, mas o fato desse usuário ter acesso ao atendimento mais básico certamente contribui para aumentar as suas chances de recuperação”, afirmou.

Tarso Araújo lembrou que as políticas de redução de danos em relação às drogas começaram na Europa, com a epidemia de Aids, nos anos de 1980. Segundo ele, o Brasil é hoje signatário dessa política, mas nada faz para colocá-la em prática. “O que se faz em São Paulo, no combate ao crack, é o avesso disso. A internação compulsória gera só desperdício de recursos, que em nada contribui para resolver o problema”. Tarso Araújo também defendeu a legalização do uso da maconha e citou o exemplo do Uruguai, que já decidiu nesse sentido. “Criminalizar causa muito mais danos”, afirmou.