Foto: Ciciro Back/O Estado

Nível da barragem do Iraí, em Piraquara, está muito baixo.

Chuvas fracas registradas no sudoeste e norte do Paraná ontem, e a possibilidade de precipitação hoje na região leste, incluindo Curitiba, não amenizam os efeitos da estiagem. A falta de chuvas em todo o Paraná deixa cada vez mais grave o comprometimento no abastecimento de água da população.

Em Curitiba e região, onde o rodízio de racionamento entra no segundo ciclo hoje, os reservatórios que fornecem água continuam com o nível decrescente. Quando o racionamento foi implantado, há uma semana, o nível na barragem do Iraí era de 30,1%. Hoje, mesmo com a economia forçada de água, já está funcionando com apenas 28,1% de sua capacidade total. A barragem Piraquara 1 está com 45,6% de seu volume normal e Passaúna, a menos castigada pela estiagem, tem hoje 79,4% de capacidade.

Apesar da queda constante do volume das barragens, a Sanepar espera não ter que tornar o racionamento mais severo. ?Se as chuvas previstas para setembro, a partir do dia 15, se confirmarem, nós manteremos o sistema atual?, diz o gerente para Curitiba e Região Metropolitana, Antônio Carlos Girardi. Caso contrário, a Sanepar deve estudar um novo sistema de racionamento. ?Poderia ser algo como um tempo maior com o fornecimento interrompido, mas isso vai ser pensado mais à frente, caso seja realmente necessário?, diz. Por ora, além do rodízio na capital e municípios da Região Metropolitana, a Sanepar recorre à bacia incremental, formada por barragens particulares.

?A colaboração tem sido boa e enquanto não esgotarmos todas as possibilidades, o racionamento se mantém como é hoje.? No modelo, Curitiba e algumas áreas da Região Metropolitana foram subdivididas em sete regiões. Cada uma delas tem o fornecimento cortado às 14h do dia prédeterminado pela Sanepar. A reabertura do fornecimento acontece às 16h, porém, em alguma localidades, o retorno das águas nas torneiras acontece por volta das 22h, para que seja evitada grande pressão nas tubulações.

A avaliação dos resultados da primeira semana do racionamento serão divulgados oficialmente na segunda-feira. Porém, de antemão, Girardi acredita que o plano de economia esteja sendo cumprido conforme o planejado. ?Estamos tendo uma boa resposta.? Porém, ele reitera o pedido constante de colaboração da população. ?Algumas pessoas só estão economizando no dia do rodízio, para não ficar sem água. Mas a economia tem que ser feita todos os dias, com uso comedido da água.?

Hoje, novamenteÐ o grupo um passa a ser atingido pelo racionamento, com interrupção do fornecimento integral para o Rebouças e parcial para Abranches, Água Verde, Alto da Quinze, Batel, Bigorrilho, Bom Retiro, Campina do Siqueira, Centro, Cristo Rei, Hugo Lange, Jardim Botânico, Juvevê, Mercês, Parolin, Pilarzinho, Prado Velho, São Lourenço, Seminário e Vista Alegre.

MP

A Sanepar pede a colaboração da população, mas ainda não se pronunciou em relação à sugestão do Ministério Público de modificar o funcionamento da Tarifa Social. Há duas semanas, o promotor de Justiça João Henrique Vilela da Silveira enviou uma carta à Sanepar para que a empresa passasse a cobrar os beneficiados pela tarifa apenas pela quantidade de água que realmente utilizam. Isto porque as pessoas acabam desperdiçando água, já que terão de pagar o valor mínimo determinado para o consumo de até 10 metros cúbicos. ?Aguardamos a manifestação da Sanepar. Creio que a direção da empresa será sensível à nossa solicitação, uma vez que contribuirá com a política de economia de água requerida neste período de estiagem.?